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O Que é Que os Discípulos Viram? Um Olhar Atento Às Manifestações da Ressurreição

Não é incomum dialogar com alguém que se identifica como ateu/agnóstico e ao fim de 30 segundos de conversa ouvir algo como “Jesus não existiu” ou “Jesus foi um Rabi importante em Israel, mas os relatos da sua ressurreição são forjados” ou “é tudo uma fabricação da Igreja para manipular as pessoas” e afirmações semelhantes. Mas o que dizem os historiadores e académicos sobre a sua vida e existência, sobre os relatos da sua ressurreição? Analisem com atenção o seguinte artigo, traduzido daqui:


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Introdução

No que diz respeito à fé Cristã, não existe doutrina mais importante do que a ressurreição de Jesus. A fé bíblica não se centra simplesmente em ensinamentos éticos e religiosos. Ao invés, é fundamentada na pessoa e na obra de Jesus. Se Jesus não ressuscitou de entre os mortos, nós como seus seguidores ainda estamos mortos nos nossos pecados (1 Cor. 15:17). As explicações tentam mostrar como algo ocorreu. Isto é, qual é a causa para algo que aconteceu. Como eu dei conta noutro lado, a história da ressurreição começou muito, muito, muito cedo. Aliás, existe um excelente artigo sobre a questão do túmulo vazio no blog do Wintery Knight. De qualquer das formas, vamos olhar para o que explica as manifestações da ressurreição. Primeiro, vamos observar a lista desses aparecimentos:

  • Jesus aparece a Maria Madalena, pouco tempo após a sua ressurreição (Marcos 16:9; João 20:11-18)
  • Jesus aparece às mulheres que retornam do túmulo vazio (Mateus 28:8-10)
  • Jesus aparece aos dois discípulos no caminho para Emaús (Marcos 16:12,13; Lucas 24:13-35)
  • Jesus aparece a Pedro (Lucas 24:34, 1 Coríntios 15:5)
  • Jesus aparece aos seus discípulos, em Jerusalém (Marcos 16:14-18; Lucas 24:36-49; João 20:19-23)
  • Jesus aparece novamente aos seus discípulos, em Jerusalém. Nesta altura, Tomás está presente (João 20:24-29)
  • Jesus aparece aos seus discípulos na costa do Mar da Galileia (Mateus 28:16; João 21:1,2)
  • Jesus é visto por 500 crentes ao mesmo tempo (1 Coríntios 15:6)
  • Jesus aparece a Tiago (1 Coríntios 15:7)
  • Jesus aparece aos seus discípulos numa montanha na Galileia (Mateus 28:16-20)
  • Ele apareceu aos seus discípulos (Lucas 24:50-53)
  • Ele apareceu a Paulo na estrada a caminho de Damasco (Atos 9:3-6; 1 Coríntios 15:8)

Em seguida irei partilhar alguns comentários de vários académicos sobre o que eles têm a dizer em relação a estes avistamentos da ressurreição e à maneira como elas foram vividas pelos discípulos:

E.P. Sanders:

Que os seguidores de Jesus (e Paulo, mais tarde) tiveram experiências de ressurreição é, em meu entender, um facto. Qual a realidade por detrás destas experiências, eu não sei. “Eu não considero uma fraude deliberada como uma explicação plausível. Muitas das pessoas nestas listas passaram o resto das suas vidas a proclamar que haviam visto o Senhor ressurreto, e muitas delas morreram por essa causa. Mais, uma mentira fabricada deveria ter produzido grande unanimidade. Ao invés, parece que existia uma competição: “Eu vi-o primeiro!” “Não! Fui Eu”.

 

A tradição de Paulo de que 500 pessoas viram Jesus ao mesmo tempo levou algumas pessoas a sugerirem que os seguidores de Jesus sofreram de uma histeria em massa. Mas uma histeria em massa não explica as outras tradições. Por fim, sabemos que após a sua morte os seus seguidores vivenciaram aquilo que descreveram como a ‘ressurreição’: a manifestação de uma pessoa viva, mas transformada, que havia de facto morrido. Eles acreditaram-no, eles viveram-no e morreram por causa disso.” [1]

Bart Ehrman:

É um facto histórico que alguns seguidores de Jesus vieram a acreditar que ele havia sido ressurreto de entre os mortos pouco tempo depois da sua execução. Conhecemos o nome de alguns destes seguidores: um deles, o apóstolo Paulo, afirma categoricamente que viu Jesus vivo após a sua morte. Assim, para o historiador, o Cristianismo tem início após a morte de Jesus, não com a ressurreição em si mesmo, mas com a crença na ressurreição. [2]

 

Ehrman diz adicionalmente:

Podemos dizer com total certeza que alguns dos seus discípulos num momento posterior insistiram que… passado pouco tempo apareceu-lhes, convencendo-os de que ele havia sido ressurreto de entre os mortos.[3]

 

 Ehrman vai ao ponto de dizer:  

Os historiadores, claro, não têm qualquer tipo de dificuldade em falar sobre a crença na ressurreição de Jesus, dado que isto é uma matéria de domínio público.[4] Porque é que, então, alguns discípulos afirmaram terem visto Jesus vivo após a sua crucificação? Eu não tenho qualquer dúvida que alguns discípulos afirmaram isso mesmo. Não temos qualquer dos seus testemunhos escritos, mas Paulo, escrevendo cerca de 25 anos mais tarde, indica que isso foi o que eles afirmavam, e eu não penso que ele o estivesse a inventar. Mais, ele conhecia pelo menos dois deles, com os quais se havia encontrado apenas 3 dias após o evento (Gálatas 1:18-19).[5]

 

Reginald Fuller:

Os discípulos pensavam que tinham testemunhado manifestações de Jesus, as quais, seja qual for a sua explicação, “são um facto sobre o qual crentes e não crentes podem concordar”[6]

 

Fuller continua, dizendo:

Até o historiador mais cético terá de fazer algo mais: postular outro evento que não seja a fé dos discípulos, mas sim a razão para essa fé, que possa trazer uma explicação para estas suas experiências. Claro que, quer as opções naturais quer as supernaturais foram já propostas.[7]

 

O que é que os discípulos viram? Vamos olhar agora para alguns comentários feitos por um conjunto de académicos sobre a forma como eles explicam essas manifestações:

Marcus Borg

As razões históricas da Páscoa são muito simples: os seguidores de Jesus, tanto naquela altura como agora, continuam a sentir a Jesus como uma realidade viva após a sua morte. No início da comunidade Cristã, esta vivência incluiu visões e aparições de Jesus. [8]

 

Rudolph Bultmann

A verdadeira fé Pascal é a fé na palavra da pregação que traz iluminação. Se o evento da Páscoa é em algum sentido um evento histórico adicional ao evento da Cruz, não é nada mais do que o aumento da fé no Senhor ressurreto, dado que foi essa fé que deu origem à pregação apostólica. A ressurreição em si não é um evento de história passada. Tudo o que o criticismo histórico pode estabelecer é que os discípulos originais passaram a acreditar na ressurreição.[9]

 

John Dominic Crossan

Quando os evangelistas falaram sobre a ressurreição de Jesus, eles contaram histórias de aparições e visões. As pessoas têm visões… não há nada de impossível acerca disso. Mas até que ponto é que estes relatos pós-ressurreição representam visões e aparições históricas? Que tipo de narrativa são? São histórias ou parábolas? [10]

 

Gerd Lüdemann

No coração da religião Cristã encontra-se uma visão descrita por Paulo em Grego como opethe – “ele foi visto.”

E o próprio Paulo, que afirma ter testemunhado uma manifestação asseverou repetidamente “Eu vi o Senhor”. Portanto Paulo é a fonte principal da tese que uma visão é a fonte da crença na ressurreição… Quando falamos sobre visões, temos de incluir alguma coisa que sentimos todas as noites quando sonhamos. É a forma inconsciente de lidarmos com a realidade. Uma visão deste tipo estava no coração da religião Cristã; e essa visão, reforçada pelo entusiasmo, foi contagiante e levou a muitas mais visões, até que tivemos um aparecimento para mais de quinhentas pessoas. [11]

 

No seu livro The Resurrection of the Messiah, Christoper Bryan responde a Lüdemann:

Podemos concordar que tais visões, como Lüdemann descreve, eram comuns na antiguidade e ainda o são hoje – confesso que eu mesmo tive duas dessas experiências. Contudo, por muito comuns que essas visões fossem ou sejam, (e num certo sentido, quanto mais comuns elas foram ou sejam, mais forte esta objecção se torna) nem na antiguidade nem no tempo presente elas são normalmente consideradas como provas de ressurreição. Pelo contrário, elas são consideradas na pior das hipóteses como alucinações, e na melhor das hipóteses (como eu as considero), comunicações genuínas de conforto além-túmulo sobre aqueles que partiram. Mas em nenhum dos casos elas são consideradas como declarações de que os que partiram foram ressurretos dentre os mortos. Isso, contudo, é o que os textos afirmam sobre Jesus. Isso é o que Pedro e Paulo, de facto, dizem. A hipótese que Lüdemann apresenta deixa esta pergunta por responder. Dessa forma, não explica aquilo que o próprio Lüdemann diz necessitar de uma explicação. [12]

 

Bryan continua e diz o seguinte sobre as citações de Bultmann, Borg, e Crossan:

Se a vivência dos primeiros Cristãos fosse o tipo de experiência que

Bultmann, Borg, e Crossan sugerem -visionárias e internas, uma simples conversão dos seus corações à verdade de Deus e ao verdadeiro significado da vida e morte de Jesus-

então porque motivo é que eles não o disseram? A linguagem para descrever esse tipo de experiências era-lhes perfeitamente acessível, então porque motivo os primeiros Cristãos não a utilizaram? Porque é que eles, ao invés, escolheram utilizar uma linguagem de ressurreição, palavras como egeiro e anistemi, palavras que, já havíamos observado, eram normalmente utilizadas em conotações bem diferentes e cujo uso aqui seria um convite à má compreensão das experiências e dessa forma, de facto, as tornariam perfeitamente aceites por muitos do mundo antigo que achavam ressurreições ridículas? Porque motivo trariam os primeiros Cristãos a “ressurreição” para a sua proclamação, senão o facto de que eles acreditavam genuinamente que algo tinha acontecido, e a única forma de descrever esse algo seria exatamente essa?[13]

 

Pegando nas palavras de Brian, Peter Walker diz:

“Ressurreição” (anastasia) em Grego era uma palavra que já havia desenvolvido um significado claro. Referia-se ao erguer físico de volta à vida neste mundo, daqueles a quem Deus escolhia – “a ressurreição dos justos” “no último dia” (cf. Mateus 22:28 e João 11:24). Portanto, quando os discípulos alegaram a Ressurreição de Jesus, eles estavam a afirmar que Deus fez por um homem o que eles aguardavam que Ele fizesse por todo o seu povo fiel no final dos tempos (o que Paulo refere ser a “esperança” de Israel [Atos 23;26:6]). Se eles apenas quisessem dizer que Jesus era um bom rapaz que não merecia morrer e cujo efeito na vida das pessoas seguramente continuar-se-ia a sentir após a sua morte, eles teriam utilizado uma outra palavra. Eles não ousariam utilizar esta palavra, que significa uma coisa e uma coisa apenas – O ato de Deus erguer alguém da morte física. Era Isto que eles pretendiam transmitir. E era exatamente isto que eles desejavam que deles fosse ouvido.[14]

Além disso, o uso da palavra “opethe” (a palavra Grega para apareceu) demonstra que os escritores dos Evangelhos acreditavam de facto que Jesus apareceu fisicamente. “Ali o vereis (opethe)” (Mateus 28:7); “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu (opethe) a Simão” (Lucas 24:34). Ao utilizarem “opethe” nestes relatos, significa que Ele apareceu-lhes fisicamente. Portanto, quando Paulo dá a sua lista de surgimentos em 1 Coríntios 15:3-8, a questão é se essa manifestação a ele é igual à dos discípulos. Bryan diz:

Não existe indicação de que ele pretende considerar o último item nessa série como essencialmente diferente dos restantes. Em segundo lugar, ele usa a palavra “opethe” para as manifestações a ele mesmo como usa essa palavra para as manifestações aos outros. Ele considera-as do mesmo tipo. Ele viu o Senhor ressurreto como eles o viram. Não existe qualquer dúvida de que o corpo de Jesus pós-ressurreição (depois da elevação ao céu) tinha que ser um pouco diferente do que o corpo que os discípulos viram.[15]

Portanto, noutras palavras, Paulo emprega o mesmo verbo Grego como a tradição, (“temos visto”), para descrever esta experiência pessoal com Cristo ressurreto. Como consequência, a experiência de Paulo foi a mesma em carácter como a dos discípulos que o precederam. Voltemos aos comentários de Bryan: “Porque motivo trariam os primeiros Cristãos a “ressurreição” para a sua proclamação, senão o facto de que eles acreditavam genuinamente que algo tinha acontecido, e a única forma de descrever esse algo seria exatamente essa?”

Haveria outras hipóteses para lá da “ressurreição” em cima da mesa? Vamos olhar para essas hipóteses:

Aparições

Acabamos de ver alguns, como Borg e Crossan, a postular a possibilidade de aparições e visões. Aparição é uma palavra utilizada para manifestações visuais de entes queridos defuntos, relacionadas com o paranormal. As pessoas na antiguidade eram igualmente familiarizadas com aparições. Portanto, as testemunhas da ressurreição poderiam perfeitamente terem descrito as manifestações de Jesus como aparições. A maioria destas questões é discutida no livro de Dale C. Allison Ressurrecting Jesus: The Earlist Christian Tradition and Its Interpreters. No que diz respeito às aparições, diz Allison, “tenho a certeza que os discípulos viram Jesus após a sua morte”.[16] Mas ele conclui que as aparições dos mortos não explicam completamente estas manifestações.[17] Ele prossegue: “Encontros típicos com os recém defuntos não resultam em reivindicações de túmulos vazios, nem levam à fundação de uma nova religião. E seguramente que estes não comem ou bebem, nem são vistos por multidões de até quinhentas pessoas.” [18]

Translação

A translação (ndt: ato ou efeito de transladar) é vista em Elias e Enoque -eles não morrem, mas são simplesmente transladados para o céu (2 Reis 2:11, Génesis 5:24). Os Judeus eram sem dúvida familiarizados com histórias de translações. Igualmente, num dos escritos Judeus extra-canónicos chamado Testamento de Jó, é apresentado um relato de uma translação como uma categoria para descrever pessoas recentemente mortas bem como as ainda vivas. Translação é definido como a elevação de alguém deste mundo para o céu. Mas as testemunhas da ressurreição não utilizaram a categoria da translação.

Imortalidade da Alma

Nem Paulo nem nenhuma outra testemunha se refere à ressurreição de Jesus como imortalidade da alma. E se Paulo e outros estavam a tentar atrair não-Judeus para o movimento de Jesus, seria inútil empurrar para cima deles uma ressurreição material. Nas palavras de Ben Witherington:

É por vezes afirmado que o foco na ressurreição física de Jesus é pura apologética. Eu fico sempre perplexo com esta afirmação. Se os evangelhos foram escritos no último terço do primeiro século, quando a igreja não só tinha uma missão viável aos Gentios [ndt: crentes não-Judeus], mas também caminhava a passos largos para ser uma comunidade largamente Gentia, porque motivo uma comunidade que tentava atrair Gentios iria inventar uma história de ressurreição, muito menos enfatizar a ressurreição material de Jesus? Esta noção não era, de todo, parte regular do léxico pagão da vida após a morte, facto demonstrado até mesmo com um estudo apressado das passagens relevantes dos clássicos em Grego e Latim. De facto, como nos sugere a passagem de Atos 17, o mais provável era que os pagãos ridicularizassem essa noção. Eu conseguiria perceber a teoria “da apologética”, se, e apenas se, os evangelhos fossem amplamente direccionados para Judeus Farisaicos, ou aos seus simpatizantes. Contudo, não conheço qualquer académico que tenha argumentado em favor de semelhante hipótese.[19]

 

Alucinações 

Eu acredito que a melhor explicação, consistente não só com as descobertas científicas mas também com as evidências disponíveis… é que os Cristãos iniciais tiveram alucinações com o Cristo ressurrecto de uma forma ou de outra… No mundo antigo, sentir uma manifestação sobrenatural de fantasmas, deuses e maravilhas não só era aceite, como encorajado.”

 

Richard Carrier, Ateu – The Spiritual Body of Christ in Empty Tomb pág. 184

 

Postular algo como alucinação leva-nos de volta à categoria das aparições. N.T Wright diz:

Toda a gente na antiguidade tomava como certo que as pessoas tinham estranhas experiências de encontros com pessoas mortas. Eles sabiam, no mínimo, o mesmo que nós sabemos sobre visões, fantasmas, sonhos, e sobre o facto de que quando uma pessoa está afligida pela perda de alguém, essa pessoa por vezes visualiza, de uma forma breve, a figura do que aparenta ser o defunto a aparecer-lhe. Isto não é uma invenção ou descoberta moderna: a literatura antiga está cheia desses relatos. Eles dispunham de linguagem própria para esse tipo de fenómeno, e essa linguagem não era “ressurreição”. Eles descreviam estas situações como um tipo de experiência angelical. [20]

De Volta à Ressurreição

Não importa o quão arduamente académicos e céticos apontem para a subjectividade de visões, aparições ou alucinações, porque a verdadeira questão em mãos é porque motivo o movimento Cristão inicial manteve-se firme à categoria da ressurreição? Se calhar mantiveram-se firme à “ressurreição” porque foi exatamente isso o que aconteceu com Jesus! (João 11:25)

Pensamento Final:

A lição a reter aqui é que devemos tentar entender o contexto das reivindicações da ressurreição. Se o realmente tentarmos fazer, analogias falsas como o Big Foot, Elvis e avistamentos de OVNIs começam a parecer incrivelmente tontas!

Fontes:


 

[1] E.P. Sanders , The Historical Figure of Jesus (New York: Penguin Books, 1993),  279-280.
[2] Bart Ehrman,  The New Testament: A Historical Introduction to the Early Christian Writings, (Terceira  Edição Nova Iorque, Oxford: Oxford University Press, 2004), 276.
[3] Bart Ehrman, Jesus: Apocalyptic Prophet of the New Millennium (Nova Iorque: Oxford University, 1999), 230
[4] Ibid, 231.
[5] Ehrman,  The New Testament: An Historical Introduction to the Early Christian Writings, 282.
[6] Reginald  Fuller, The Foundations of New Testament Christology (Nova Iorque: Scribner’s, 1965), 142.
[7] Reginald Fuller, The Formation of the Resurrection Narratives (Nova Iorque: Macmillan, 1980),
[8] Ibid, 2, 169, 181.
[9] Rudolph Bultmann, “The New Testament and Mythology,” in Kerygma and Myth: A Theological Debate, ed. Hans Werner Bartsch, trans. Reginald H. Fuller (Londres: S.P.C.K, 1953-62), 38, 42.
[10] John Dominic Crossan, A Long Way from Tipperary: A Memoir (São Francisco: HarperSanFransisco, 2000), 164-165.
[11] Gerd Lüdemann, The Resurrection of Jesus: History, Experience, Theology. Translated by John Bowden. Londres: SCM, 1994 (1994), 97, 100.
[12] Christopher Bryan, The Resurrection of the Messiah (Oxford University Press, USA, 2011), 163-164. [13] Ibid, 169-170.
[14] P.W. Walker, The Weekend That Changed the World (Louisville, KY: Westminster John Knox, 1999), 63.
[15] Bryan, The Resurrection of the Messiah, 53.
[16] Dale Allison, Resurrecting Jesus: The Earliest Christian Tradition and Its Interpreters (Nova Iorque: T&T Clark, 2005), 283-284.
[17] Ibid.
[18] Ibid.
[19] Ben Witherington III. New Testament History. Grand Rapids, MI: Baker Academic. 2001, 165.
[20] Craig A., Evans, and  N. T. Wright, and Troy A. Miller. Jesus, the Final Days: What Really Happened. Louisville, KY: Westminster John Knox, 2009. 101.
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A Religião É a Causa Número 1 da Guerra?

Ateus e humanistas seculares alegam com insistência que a religião é a causa número 1 da violência e guerra na história da humanidade. Um dos propagandistas do ateísmo, Sam Harris, diz no seu livro A morte da fé que a fé e a religião são “a fonte mais prolífica de violência da nossa história”. 1

Não há como negar que campanhas como As Cruzadas e a Guerra dos Trinta Anos foram fundamentadas em ideologia religiosa, mas é simplesmente incorreto afirmar que a religião tem sido a causa primária para a guerra. Mais, apesar de não haver discordância no facto de que o islamismo radical foi a força por detrás dos ataques às torres gémeas do World Trade Center, é uma falácia dizer que todas as fés contribuem igualmente no que diz respeito à violência motivada por ideologias religiosas.

Uma fonte interessante de verdade nesta matéria é a Enciclopédia das Guerras, uma obra de 3 volumes de Philip e Axelrod que relata 1763 guerras disputadas no decurso da história da humanidade. Destas guerras, os autores categorizaram 123 como sendo de natureza religiosa 2, o que revela uma percentagem surpreendentemente baixa de apenas 6,98% do total das guerras. Contudo, se subtrairmos a esse número as guerras disputadas em nome do Islão (66), a percentagem baixa para menos de metade, para 3,23%.

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Isto significa que todas as fés combinadas – à excepção do Islão – foram a causa de menos de 4% de todas as guerras da humanidade e conflitos violentos. Mais, elas não tiveram qualquer papel motivador nas grandes guerras que resultaram no maior número de perda de vidas.

Estes factos fazem uma séria mossa no argumento de Sam Harris, não é verdade?

A verdade é esta, motivações não-religiosas e filosofias naturalisticas carregam a culpa pela quase totalidade das guerras da humanidade. As vidas perdidas durante conflitos religiosos são em número muitíssimo inferior quando comparadas com as vidas perdidas devido à açáo de regimes que não queriam ter nada a ver com a ideia de Deus – algo demonstrado nos trabalhos Políticas Letais e Morte por Governo, de R. J. Rummel 3:

Custo em Vidas por Ditadores Não-Religiosos 

  • Joseph Stalin – 42.672.000
  • Mao Zedong (Mao Tsé-Tung) – 37.828.000
  • Adolf Hitler – 20.946.000
  • Chiang Kai-shek – 10.214.000
  • Vladimir Lenin – 4.017.000
  • Hideki Tojo – 3.990.000
  • Pol Pot – 2.397.000

Rummel diz: “Quase 170 milhões de homens, mulheres e crianças foram mortas, espancadas, torturadas, esfaqueadas, queimadas, deixadas à fome, congeladas, esmagadas ou obrigadas a trabalhar até à morte; queimadas vidas, afogadas, enforcadas, bombardeadas ou mortas por uma de entre as imensas formas que os governos têm de infligir a morte em cidadãos ou estrangeiros desarmados e indefesos. O número pode até ser perto de 360 milhões de pessoas. É como se a nossa espécie tivesse sido infetada com uma versão moderna da Peste Negra. E de facto foi, mas é uma peste de Poder, e não uma de germes.”4

As evidências históricas são bem claras: A religião não é a causa número 1 da guerra.

Se não podemos culpar a religião pela maioria das guerras e violência, então qual é essa causa primária? É a mesmo que despoleta todo o crime, crueldade, perdas de vida, e outras coisas iguais. Jesus dá uma resposta bem clara quanto a isso: “Porque, do interior do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro, e contaminam o homem.” (Marcos 7:21-23)

Tiago (naturalmente) concorda com Cristo quando diz: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; sois invejosos, e cobiçosos, e não podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes;” (Tiago 4:1-2)

No final, a evidência demonstra que os ateus estão completamente errados no que diz respeito às guerras que eles tão desesperadamente afirmam serem contra. O pecado é a causa número 1 da guerra e da violência, não a religião, e seguramente que não é o Cristianismo.

 

Referências:
1. The End of Faith, pág 27
2. Encyclopedia of Wars, pág 104
3
. Lethal Politcs, pág 23
4
. Death by Government, pág 9

Este artigo foi traduzido do original, de Robin Schumacher, retirado daqui.

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Lee Strobel – Em Defesa de Cristo

Este documentário mostra-nos a jornada que um jornalista ateu -Lee Strobel- percorreu para provar que as reivindicações Cristãs eram um conjunto muito elaborado de mentiras.
O que ele veio a descobrir, é que não só Jesus existiu, como os evangelhos são documentos históricos cuja veracidade é aceite sem reservas nos círculos académicos.

E você, acredita na existência de Jesus e nos relatos dos evangelhos? Veja o documentário e tenha a sua vida transformada por esse homem que morreu e foi ressuscitado há cerca de 2000 anos atrás.

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