Porquê Deus? – Uma Causa Moral
Quinta apresentação da série “Porquê?”
As restantes apresentações serão adicionadas nos próximos dias.
Quinta apresentação da série “Porquê?”
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Quarta apresentação da série “Porquê?”
As restantes apresentações serão adicionadas nos próximos dias.
Ontem, alguém com a destreza que a lógica confere e após uma explicação minha sobre o sermos salvos somente pela fé (e não pelas obras que praticamos), perguntou o seguinte: “Mas, se não somos salvos pelas obras o que distingue uns de outros? Um Cristão pode seguir a sua vida a praticar más obras?”.
Como fazer então a distinção? Alguém que diz crer em Jesus como seu Salvador e que mantém um padrão de vida não condizente com o padrão cristão, está salvo?
A Bíblia dá-nos autoridade para emitir uma opinião devidamente fundamentada neste casos?
Dá, e de que maneira! A Palavra de Deus é clara: Naquele que crê genuinamente, Deus nele faz habitar o Espírito Santo, que produz, desde logo, uma regeneração efetiva e notória.
Se o crente em Deus por Jesus Cristo não notar uma modificação no seu “eu” interior, nas suas vontades, desejos, ambições, paixões, na sua maneira de falar e de agir, na forma como lida com a imperfeição dos outros, na forma como se dedica a ler a bíblia, a orar, a aprofundar a sua ligação a Deus, etc, então há um sério aviso na sua vida e essa pessoa deverá fazer uma profunda avaliação sobre a validade da sua escolha quando aceitou a mensagem do Evangelho.
A ação é clara…
“Mas, todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”
2 Coríntios 3:18
… e o resultado deverá ser notório…
“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”
Gálatas 5:22
Logo após falar com essa pessoa, fiquei com vontade de escrever um artigo a falar na Regeneração produzida pelo Espírito Santo, e eis senão quando, hoje mesmo, me deparo com este artigo do site Monergismo, bastante completo e que aborda precisamente este assunto. Boa leitura:
por John Owen
A obra do Espírito Santo na regeneração de almas precisa ser estudada e claramente compreendida pelos pregadores do evangelho, e por todos aqueles a quem a Palavra de Deus é pregada. É pelos verdadeiros pregadores do evangelho que o Espírito Santo regenera as pessoas (lCo.4:15; Fm.10; At.26: 17,18). Por isso, todos aqueles que pregam o evangelho precisam conhecer totalmente a regeneração para que possam com Deus e o Seu Espírito trazer almas ao “novo nascimento”. É também dever de todos os que ouvem a Palavra de Deus estudar e entender a regeneração (2Co.13:5).
O grande trabalho do Espírito Santo é a obra de regeneração (Jo.3:3-6). Certa noite Nicodemus, um mestre de Israel, veio até Jesus, que lhe disse: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (…) O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”. O nosso Senhor tendo o conhecimento de que a fé e a obediência a Deus, e a nossa aceitação da parte de Deus, dependem de um novo nascimento, fala a Nicodemus do quão necessário é nascer de novo. Nicodemus fica surpreso com isso, e assim Jesus segue adiante a ensinar-lhe que obra de regeneração é esta. Ele diz: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (v.5).
A regeneração, portanto, ocorre por meio “da água e do Espírito”. O Espírito Santo faz a obra de regeneração na alma do homem, da qual a água é o sinal exterior. Este símbolo externo é um solene compromisso e selo do pacto que até então lhes vinha sendo anunciado por João Batista. A água pode também significar o próprio Espírito Santo.
João nos fala que todos aqueles que receberam a Cristo só o fizeram por terem nascido de Deus (Jo. 1:12,13). Nem a hereditariedade, nem a vontade do homem podem produzir um novo nascimento. A obra como um todo é atribuída tão-somente a Deus (veja também Jo.3:6; Ef.2:1,5; Jo.6:63; Rm.8:9,10; Tt.3:4-6).
É sempre importante lembrar que toda a Trindade está envolvida nesta obra de regeneração. Ela se origina na bondade e no amor de Deus como Pai (Jo.3:16; Ef.1:3-6), da Sua vontade, propósito e conselho. É uma obra do Seu amor e graça. Jesus Cristo nosso Salvador a adquiriu para pecadores (Ef. 1:6). Mas o verdadeiro “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” nas nossas almas é obra do Espírito Santo (Tt.3:4-6).
Todavia o meu presente objetivo é confirmar os princípios fundamentais da verdade concernente a essa obra do Espírito Santo que vêm sendo negados e combatidos.
A REGENERAÇÃO NO VELHO TESTAMENTO
No Velho Testamento a obra de regeneração ocorria desde a fundação do mundo, e foi registrada nas Escrituras. Contudo o seu conhecimento era muito vago comparado ao conhecimento que temos dela no evangelho.
Nicodemus, um importante mestre de Israel, declarou a sua ignorância quanto a isso. “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”. Cristo maravilhou-se de que um mestre de Israel não conhecesse esta doutrina da regeneração. Estava nitidamente declarado nas promessas especificas do Velho Testamento, como também em outras passagens (conforme veremos), que Deus haveria de circuncidar os corações do Seu povo, tirar-lhes o coração de pedra e dar-lhes um coração de carne. Em sua ignorância os mestres de Israel imaginavam que a regeneração significava apenas uma reforma de vida. De modo semelhante muitos hoje consideram a regeneração como nada mais que o esforço para se levar uma vida moral. Mas se a regeneração significar nada mais do que se tornar um novo homem moral — algo a que todos, tanto mais ou menos, recomendam — dessa forma o nosso Senhor Jesus Cristo, bem mais do que esclarecer a Nicodemus sobre esta questão, a obscureceu mais ainda.
O Novo Testamento ensina claramente que o Espírito Santo faz uma obra secreta e misteriosa nas almas dos homens. Agora, se esta obra secreta e misteriosa for na verdade apenas uma reforma moral que capacita os homens a viverem melhor, se for apenas um convencimento externo para abandonar o mal e se fazer o bem, então, a doutrina da regeneração ensinada por Cristo e todo o Novo Testamento, é definitivamente incompreensível e sem sentido.
A regeneração e a doutrina da regeneração existiram no Velho Testamento. Os eleitos de Deus, de qualquer geração, nasceram de novo pelo Espírito Santo. Mas antes da vinda de Cristo, todas as coisas dessa natureza, estavam “desde o princípio do mundo, ocultas em Deus” (Ef.3:9 — tradução literal NKJV).
Mas agora chegou o grande médico, aquele que haveria de curar a terrível ferida das nossas naturezas pela qual estávamos mortos em nossos “delitos e pecados”. Ele abre a ferida, mostra-nos o quão é terrível e revela a situação de morte que ela trouxe sobre nós. Ele assim o faz para que sejamos verdadeiramente agradecidos quando nos curar. Assim pois, nenhuma doutrina é mais completa e claramente ensinada no evangelho do que esta doutrina da regeneração.
Quão corrompidos, portanto, são os que a negam, desprezam e rejeitam.
A CONSTANTE OBRA DO ESPÍRITO
Os eleitos de Deus não eram regenerados de uma maneira no Velho Testamento e de outra completamente diferente, pelo Espírito Santo, no Novo Testamento. Todos eram regenerados de um mesmo modo pelo mesmo Espírito Santo. Aqueles que foram milagrosamente convertidos, como Paulo, ou que em suas conversões lhes foram concedidos dons miraculosos, como muitos dos cristãos primitivos, não foram regenerados de um modo diferente de nós mesmos, que também temos recebido esta graça e privilégio.
Os dons miraculosos do Espírito Santo nada tinham a ver com a Sua obra de regeneração. Não eram a comprovação de que alguém havia sido regenerado. Muitos dos que possuíram dons miraculosos jamais foram regenerados; outros que foram regenerados jamais possuíram dons miraculosos.
É também o cúmulo da ignorância supor que o Espírito Santo no passado regenerava pecadores miraculosamente, mas que agora Ele não o faz de modo milagroso, mas por persuadir-nos que não é razoável que não nos arrependamos dos nossos pecados.
Jamais cairemos neste erro se considerarmos o seguinte:
a) A condição de todos os não-regenerados é exatamente a mesma. Uns não são mais não-regenerados que outros. Todos os homens são inimigos de Deus. Todos estão sob a Sua maldição (Sl.51:5;Jo.3:5, 36; Rm.3:19; 5:15-18; Ef.2:3; Tt.3:3,4).
b) Há variados níveis de malignidade nos não-regenerados, assim como há diversos níveis de santidade entre os regenerados. Todavia o estado de todos os não-regenerados -é o mesmo. Todos carecem de que se faça neles a mesma obra do Espírito Santo.
c) O estado a que os homens são trazidos pela regeneração é o mesmo. Nenhum é mais regenerado do que outro, contudo uns podem ser mais santificados que outros. Aqueles gerados por pais naturais nascem de um mesmo modo, embora alguns logo superem os outros em perfeições e habilidades. O mesmo também ocorre com todos os que são nascidos de Deus.
d) A graça e o poder pelos quais esta obra de regeneração é operada em nós são os mesmos. A verdade é que aqueles que desprezam o novo nascimento, fazem-no porque desprezam a nova vida. Aquele que odeia a idéia de viver para Deus, odeia a idéia de ser nascido de Deus. No final, entretanto, todos os homens serão julgados por esta pergunta: “Você nasceu de Deus?”.
A COMPREENSÃO ERRADA SOBRE A REGENERAÇÃO
Em primeiro lugar regeneração não é meramente ser batizado e dizer: “eu me arrependi”. A água do batismo é apenas um sinal externo (lPe.3:21). A água mesmo só pode molhar e lavar alguém da “imundícia da carne”. Mas como um sinal exterior ela significa “uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (lPe.3:21. Veja Hb.9:14; Rm.6:3-7). O apóstolo Paulo faz claramente a distinção entre a ordenança exterior e o ato de regeneração em si mesmo (Gl.6:15). Se batismo acompanhado de confissão de arrependimento for regeneração, então todos aqueles que foram batizados e se confessaram arrependidos têm de ser regenerados. Mas é claro que isso não é assim (veja At.8: 13 com os vv. 21, 23).
Em segundo lugar a regeneração não é uma reforma moral da vida exterior e do comportamento. Por exemplo, suponhamos uma tal reforma exterior pela qual alguém volta-se de fazer o mal para fazer o bem. Deixa de roubar e passa a trabalhar. Não obstante, haja o que houver de justiça real nessa mudança moral exterior de comportamento, ela não procede de um novo coração e de uma nova natureza que ama a justiça. É tão-somente pela regeneração que um corrupto e pecaminoso inimigo da justiça pode ser trazido a amá-la e a deleitar-se em praticá-la. Há os que escarnecem da regeneração como sendo inimiga da moralidade, justiça e reforma, mas um dia hão de descobrir o quanto estão errados.
A idéia de que a regeneração nada mais é do que uma reforma moral da vida, procede da negação do pecado original e do fato de sermos maus por natureza. Se não fôssemos maus por natureza, se fôssemos bons no fundo do nosso coração, então não haveria necessidade de nascermos de novo.
A REGENERAÇÃO NÃO PRODUZ EXPERIÊNCIAS SUBJETIVAS.
A regeneração nada tem a ver com enlevos extraordinários, êxtases, ouvir vozes celestiais ou com qualquer outra coisa do tipo. Quando o Espírito Santo faz a Sua obra de regeneração nos corações dos homens, Ele não vem sobre eles com grandes e poderosos sentimentos e emoções aos quais não podem resistir.
Ele não se apodera dos homens como os maus espíritos se apossam das suas vitimas. Toda a Sua obra pode ser racionalmente compreendida e explicada por todo aquele que crê na Escritura e recebeu o Espírito da verdade que o mundo não pode receber. Jesus disse a Nicodemus: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai”, assim é com a obra de regeneração do Espírito Santo.
A NATUREZA DA REGENERAÇÃO
Regeneração é colocar na alma uma nova lei de vida que é verdadeira e espiritual, que é luz, santidade e justiça, que leva à destruição de tudo o que odeia a Deus e luta contra Ele. A regeneração produz uma milagrosa mudança interior do coração. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura”. A regeneração não se dá pelos sinais exteriores de uma mudança moral do coração e é muito distinta deles (Gl.5:6; 6:15).
A regeneração é um ato onipotente de criação. Um novo princípio ou lei é criado em nós pelo Espírito Santo (Sl.51:10; Ef.2:10). Esta nova criação não é um novo hábito formado em nós, mas uma nova capacidade e faculdade. É chamada, portanto, de “natureza divina” (2Pe. 1:4). Esta nova criação é o revestir de uma nova capacidade e faculdade criada em nós por Deus e que traz a Sua imagem (Ef.4:22-24).
A regeneração renova as nossas mentes. Ser renovado no espírito de nossas mentes significa que as nossas mentes possuem agora uma nova e salvadora luz sobrenatural que as capacita a pensarem e a agirem espiritualmente (Ef.4:23; Rm.12:2). O crente é renovado em “conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl.3:10).
O NOVO HOMEM
Esta capacidade e faculdade nova produzida em nós pela regeneração é chamada de “novo homem”, porque envolve uma completa e total mudança da alma, de onde procede toda ação espiritual e moral (Ef.4:24). Este “novo homem” é contraposto ao “velho homem” (Ef.4:22,24). Este “velho homem” é a nossa natureza humana corrompida que tem a capacidade e faculdade de produzir pensamentos e atos malignos. O “novo homem” está capacitado e habilitado a produzir atos religiosos, espirituais e morais (Rm.6:6). Denomina-se de “novo homem” porque é uma “nova criação de Deus” (Ef.l:19; 4:24; Cl.2:12, 13; 2Ts.1:11).
Este “novo homem” é criado de imediato, num átimo. É por isso que a regeneração não pode ser uma mera reforma de vida, que é o trabalho de toda uma vida (Ef.2:10). É a obra de Deus em nós que antecede todas as nossa obras para com Deus. Somos feitura de Deus, criados para produzir boas obras (Ef.2: 10).
Assim pois não podemos produzir boas obras aceitáveis a Deus sem que primeiro Ele produza esta nova criação em nós. Está dito que este “novo homem” é “criado segundo Deus [i.e., à Sua imagem], em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef.4:24). A imagem de Deus no primeiro homem não foi uma reforma de vida. Nem foi um padrão de bom proceder. Adão foi criado à imagem de Deus antes que fizesse qualquer boa obra. Esta imagem de Deus era a capacidade e faculdade dada a Adão para viver uma vida tal que manifestasse verdadeiramente o caráter santo e justo de Deus. Tal capacidade e faculdade foi dada a Adão antes mesmo dele começar a viver para Deus. É verdadeiramente indispensável que o mesmo ocorra também conosco. Primeiro, a imagem de Deus, a qual é o “novo homem”, é novamente criada em nós. Então podemos começar mais uma vez a apresentar em nossas vidas o caráter santo e justo de Deus (Lc.6:43; Mt.7:18).
A ALIANÇA DE DEUS
Deus já nos tem dito como nos trata em Sua aliança (Ez.36:25-27; Jr.31:33; 32:39,40). Ele primeiro lava e limpa a nossa natureza; arranca o nosso coração de pedra e dá-nos um coração de carne; escreve as Suas leis em nossos corações e coloca o Seu Espírito em nós para nos capacitar a guardar essas leis. É isso o que significa regeneração. Que também é descrita como o santificar, o tornar santo todo nosso espírito, alma e corpo (lTs.5:23).
COMPROVADO PELA ESCRITURA
O Espírito Santo não opera de qualquer outro modo senão por aquilo que nos mostra a Escritura. Tudo que alega ser obra de regeneração Sua, precisa ser comprovado pela Escritura. O Espírito Santo, por ser onisciente, conhece as nossas naturezas perfeitamente, e por isso sabe com exatidão como operar nelas sem as ferir ou danificar, sem forçá-las de modo algum a concordar com a Sua vontade.
A pessoa ao ser regenerada, jamais, em momento algum, sente que está sendo malignamente forçada contra a sua vontade. A despeito disso, muitos que são verdadeiramente regenerados têm sido tratados pelo mundo como se fossem loucos, ou algum tipo de fanático religioso (2Rs.9:11; Mc.3:21; At.26:24, 25).
A obra do Espírito Santo na regeneração de almas precisa ser estudada e claramente compreendida pelos pregadores do evangelho, e por todos aqueles a quem a Palavra de Deus é pregada. É pelos verdadeiros pregadores do evangelho que o Espírito Santo regenera as pessoas (lCo.4:15; Fm.10; At.26: 17,18). Por isso, todos aqueles que pregam o evangelho precisam conhecer totalmente a regeneração para que possam com Deus e o Seu Espírito trazer almas ao “novo nascimento”. É também dever de todos os que ouvem a Palavra de Deus estudar e entender a regeneração (2Co.13:5).
A regeneração foi-nos revelada por Deus (Dr.29:29). Assim pois não estudar nem tentar compreender esta grande obra é revelar a nossa própria estultícia e loucura. Enquanto não tivermos nascido de Deus nada poderemos fazer que Lhe agrade, nem obtemos dEle quaisquer consolações, e nada somos capazes de entender a Seu respeito ou sobre o que Ele está realizando no mundo.
Há o grande perigo de que os homens possam estar enganados quanto à regeneração e que estejam, portanto, eternamente perdidos. Crendo erroneamente que podem obter o céu sem que lhes seja necessário nascer de novo, ou que havendo nascido de novo podem continuar a levar uma vida pecaminosa. Tais opiniões contradizem claramente o ensinamento do nosso Senhor e dos apóstolos (Jo.3:5; 1Jo.3:9).
Fonte:
Jornal Os Puritanos – Ano X – No 04 – Out./Nov./Dez./2002
(Extraído do Livro “O Espírito Santo”, do teólogo puritano John Owen (O Príncipe dos Puritanos), publicado pela Banner Of Truth, cap 8, pg 43-51.
Adaptado das suas obras para uma linguagem contemporânea por R.J.K. Law.)
(partilhado do Monergismo)
Não é incomum dialogar com alguém que se identifica como ateu/agnóstico e ao fim de 30 segundos de conversa ouvir algo como “Jesus não existiu” ou “Jesus foi um Rabi importante em Israel, mas os relatos da sua ressurreição são forjados” ou “é tudo uma fabricação da Igreja para manipular as pessoas” e afirmações semelhantes. Mas o que dizem os historiadores e académicos sobre a sua vida e existência, sobre os relatos da sua ressurreição? Analisem com atenção o seguinte artigo, traduzido daqui:
Introdução
No que diz respeito à fé Cristã, não existe doutrina mais importante do que a ressurreição de Jesus. A fé bíblica não se centra simplesmente em ensinamentos éticos e religiosos. Ao invés, é fundamentada na pessoa e na obra de Jesus. Se Jesus não ressuscitou de entre os mortos, nós como seus seguidores ainda estamos mortos nos nossos pecados (1 Cor. 15:17). As explicações tentam mostrar como algo ocorreu. Isto é, qual é a causa para algo que aconteceu. Como eu dei conta noutro lado, a história da ressurreição começou muito, muito, muito cedo. Aliás, existe um excelente artigo sobre a questão do túmulo vazio no blog do Wintery Knight. De qualquer das formas, vamos olhar para o que explica as manifestações da ressurreição. Primeiro, vamos observar a lista desses aparecimentos:
Em seguida irei partilhar alguns comentários de vários académicos sobre o que eles têm a dizer em relação a estes avistamentos da ressurreição e à maneira como elas foram vividas pelos discípulos:
E.P. Sanders:
Que os seguidores de Jesus (e Paulo, mais tarde) tiveram experiências de ressurreição é, em meu entender, um facto. Qual a realidade por detrás destas experiências, eu não sei. “Eu não considero uma fraude deliberada como uma explicação plausível. Muitas das pessoas nestas listas passaram o resto das suas vidas a proclamar que haviam visto o Senhor ressurreto, e muitas delas morreram por essa causa. Mais, uma mentira fabricada deveria ter produzido grande unanimidade. Ao invés, parece que existia uma competição: “Eu vi-o primeiro!” “Não! Fui Eu”.
A tradição de Paulo de que 500 pessoas viram Jesus ao mesmo tempo levou algumas pessoas a sugerirem que os seguidores de Jesus sofreram de uma histeria em massa. Mas uma histeria em massa não explica as outras tradições. Por fim, sabemos que após a sua morte os seus seguidores vivenciaram aquilo que descreveram como a ‘ressurreição’: a manifestação de uma pessoa viva, mas transformada, que havia de facto morrido. Eles acreditaram-no, eles viveram-no e morreram por causa disso.” [1]
Bart Ehrman:
É um facto histórico que alguns seguidores de Jesus vieram a acreditar que ele havia sido ressurreto de entre os mortos pouco tempo depois da sua execução. Conhecemos o nome de alguns destes seguidores: um deles, o apóstolo Paulo, afirma categoricamente que viu Jesus vivo após a sua morte. Assim, para o historiador, o Cristianismo tem início após a morte de Jesus, não com a ressurreição em si mesmo, mas com a crença na ressurreição. [2]
Ehrman diz adicionalmente:
Podemos dizer com total certeza que alguns dos seus discípulos num momento posterior insistiram que… passado pouco tempo apareceu-lhes, convencendo-os de que ele havia sido ressurreto de entre os mortos.[3]
Ehrman vai ao ponto de dizer:
Os historiadores, claro, não têm qualquer tipo de dificuldade em falar sobre a crença na ressurreição de Jesus, dado que isto é uma matéria de domínio público.[4] Porque é que, então, alguns discípulos afirmaram terem visto Jesus vivo após a sua crucificação? Eu não tenho qualquer dúvida que alguns discípulos afirmaram isso mesmo. Não temos qualquer dos seus testemunhos escritos, mas Paulo, escrevendo cerca de 25 anos mais tarde, indica que isso foi o que eles afirmavam, e eu não penso que ele o estivesse a inventar. Mais, ele conhecia pelo menos dois deles, com os quais se havia encontrado apenas 3 dias após o evento (Gálatas 1:18-19).[5]
Reginald Fuller:
Os discípulos pensavam que tinham testemunhado manifestações de Jesus, as quais, seja qual for a sua explicação, “são um facto sobre o qual crentes e não crentes podem concordar”[6]
Fuller continua, dizendo:
Até o historiador mais cético terá de fazer algo mais: postular outro evento que não seja a fé dos discípulos, mas sim a razão para essa fé, que possa trazer uma explicação para estas suas experiências. Claro que, quer as opções naturais quer as supernaturais foram já propostas.[7]
O que é que os discípulos viram? Vamos olhar agora para alguns comentários feitos por um conjunto de académicos sobre a forma como eles explicam essas manifestações:
Marcus Borg
As razões históricas da Páscoa são muito simples: os seguidores de Jesus, tanto naquela altura como agora, continuam a sentir a Jesus como uma realidade viva após a sua morte. No início da comunidade Cristã, esta vivência incluiu visões e aparições de Jesus. [8]
Rudolph Bultmann
A verdadeira fé Pascal é a fé na palavra da pregação que traz iluminação. Se o evento da Páscoa é em algum sentido um evento histórico adicional ao evento da Cruz, não é nada mais do que o aumento da fé no Senhor ressurreto, dado que foi essa fé que deu origem à pregação apostólica. A ressurreição em si não é um evento de história passada. Tudo o que o criticismo histórico pode estabelecer é que os discípulos originais passaram a acreditar na ressurreição.[9]
John Dominic Crossan
Quando os evangelistas falaram sobre a ressurreição de Jesus, eles contaram histórias de aparições e visões. As pessoas têm visões… não há nada de impossível acerca disso. Mas até que ponto é que estes relatos pós-ressurreição representam visões e aparições históricas? Que tipo de narrativa são? São histórias ou parábolas? [10]
Gerd Lüdemann
No coração da religião Cristã encontra-se uma visão descrita por Paulo em Grego como opethe – “ele foi visto.”
E o próprio Paulo, que afirma ter testemunhado uma manifestação asseverou repetidamente “Eu vi o Senhor”. Portanto Paulo é a fonte principal da tese que uma visão é a fonte da crença na ressurreição… Quando falamos sobre visões, temos de incluir alguma coisa que sentimos todas as noites quando sonhamos. É a forma inconsciente de lidarmos com a realidade. Uma visão deste tipo estava no coração da religião Cristã; e essa visão, reforçada pelo entusiasmo, foi contagiante e levou a muitas mais visões, até que tivemos um aparecimento para mais de quinhentas pessoas. [11]
No seu livro The Resurrection of the Messiah, Christoper Bryan responde a Lüdemann:
Podemos concordar que tais visões, como Lüdemann descreve, eram comuns na antiguidade e ainda o são hoje – confesso que eu mesmo tive duas dessas experiências. Contudo, por muito comuns que essas visões fossem ou sejam, (e num certo sentido, quanto mais comuns elas foram ou sejam, mais forte esta objecção se torna) nem na antiguidade nem no tempo presente elas são normalmente consideradas como provas de ressurreição. Pelo contrário, elas são consideradas na pior das hipóteses como alucinações, e na melhor das hipóteses (como eu as considero), comunicações genuínas de conforto além-túmulo sobre aqueles que partiram. Mas em nenhum dos casos elas são consideradas como declarações de que os que partiram foram ressurretos dentre os mortos. Isso, contudo, é o que os textos afirmam sobre Jesus. Isso é o que Pedro e Paulo, de facto, dizem. A hipótese que Lüdemann apresenta deixa esta pergunta por responder. Dessa forma, não explica aquilo que o próprio Lüdemann diz necessitar de uma explicação. [12]
Bryan continua e diz o seguinte sobre as citações de Bultmann, Borg, e Crossan:
Se a vivência dos primeiros Cristãos fosse o tipo de experiência que
Bultmann, Borg, e Crossan sugerem -visionárias e internas, uma simples conversão dos seus corações à verdade de Deus e ao verdadeiro significado da vida e morte de Jesus-
então porque motivo é que eles não o disseram? A linguagem para descrever esse tipo de experiências era-lhes perfeitamente acessível, então porque motivo os primeiros Cristãos não a utilizaram? Porque é que eles, ao invés, escolheram utilizar uma linguagem de ressurreição, palavras como egeiro e anistemi, palavras que, já havíamos observado, eram normalmente utilizadas em conotações bem diferentes e cujo uso aqui seria um convite à má compreensão das experiências e dessa forma, de facto, as tornariam perfeitamente aceites por muitos do mundo antigo que achavam ressurreições ridículas? Porque motivo trariam os primeiros Cristãos a “ressurreição” para a sua proclamação, senão o facto de que eles acreditavam genuinamente que algo tinha acontecido, e a única forma de descrever esse algo seria exatamente essa?[13]
Pegando nas palavras de Brian, Peter Walker diz:
“Ressurreição” (anastasia) em Grego era uma palavra que já havia desenvolvido um significado claro. Referia-se ao erguer físico de volta à vida neste mundo, daqueles a quem Deus escolhia – “a ressurreição dos justos” “no último dia” (cf. Mateus 22:28 e João 11:24). Portanto, quando os discípulos alegaram a Ressurreição de Jesus, eles estavam a afirmar que Deus fez por um homem o que eles aguardavam que Ele fizesse por todo o seu povo fiel no final dos tempos (o que Paulo refere ser a “esperança” de Israel [Atos 23;26:6]). Se eles apenas quisessem dizer que Jesus era um bom rapaz que não merecia morrer e cujo efeito na vida das pessoas seguramente continuar-se-ia a sentir após a sua morte, eles teriam utilizado uma outra palavra. Eles não ousariam utilizar esta palavra, que significa uma coisa e uma coisa apenas – O ato de Deus erguer alguém da morte física. Era Isto que eles pretendiam transmitir. E era exatamente isto que eles desejavam que deles fosse ouvido.[14]
Além disso, o uso da palavra “opethe” (a palavra Grega para apareceu) demonstra que os escritores dos Evangelhos acreditavam de facto que Jesus apareceu fisicamente. “Ali o vereis (opethe)” (Mateus 28:7); “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu (opethe) a Simão” (Lucas 24:34). Ao utilizarem “opethe” nestes relatos, significa que Ele apareceu-lhes fisicamente. Portanto, quando Paulo dá a sua lista de surgimentos em 1 Coríntios 15:3-8, a questão é se essa manifestação a ele é igual à dos discípulos. Bryan diz:
Não existe indicação de que ele pretende considerar o último item nessa série como essencialmente diferente dos restantes. Em segundo lugar, ele usa a palavra “opethe” para as manifestações a ele mesmo como usa essa palavra para as manifestações aos outros. Ele considera-as do mesmo tipo. Ele viu o Senhor ressurreto como eles o viram. Não existe qualquer dúvida de que o corpo de Jesus pós-ressurreição (depois da elevação ao céu) tinha que ser um pouco diferente do que o corpo que os discípulos viram.[15]
Portanto, noutras palavras, Paulo emprega o mesmo verbo Grego como a tradição, (“temos visto”), para descrever esta experiência pessoal com Cristo ressurreto. Como consequência, a experiência de Paulo foi a mesma em carácter como a dos discípulos que o precederam. Voltemos aos comentários de Bryan: “Porque motivo trariam os primeiros Cristãos a “ressurreição” para a sua proclamação, senão o facto de que eles acreditavam genuinamente que algo tinha acontecido, e a única forma de descrever esse algo seria exatamente essa?”
Haveria outras hipóteses para lá da “ressurreição” em cima da mesa? Vamos olhar para essas hipóteses:
Aparições
Acabamos de ver alguns, como Borg e Crossan, a postular a possibilidade de aparições e visões. Aparição é uma palavra utilizada para manifestações visuais de entes queridos defuntos, relacionadas com o paranormal. As pessoas na antiguidade eram igualmente familiarizadas com aparições. Portanto, as testemunhas da ressurreição poderiam perfeitamente terem descrito as manifestações de Jesus como aparições. A maioria destas questões é discutida no livro de Dale C. Allison Ressurrecting Jesus: The Earlist Christian Tradition and Its Interpreters. No que diz respeito às aparições, diz Allison, “tenho a certeza que os discípulos viram Jesus após a sua morte”.[16] Mas ele conclui que as aparições dos mortos não explicam completamente estas manifestações.[17] Ele prossegue: “Encontros típicos com os recém defuntos não resultam em reivindicações de túmulos vazios, nem levam à fundação de uma nova religião. E seguramente que estes não comem ou bebem, nem são vistos por multidões de até quinhentas pessoas.” [18]
Translação
A translação (ndt: ato ou efeito de transladar) é vista em Elias e Enoque -eles não morrem, mas são simplesmente transladados para o céu (2 Reis 2:11, Génesis 5:24). Os Judeus eram sem dúvida familiarizados com histórias de translações. Igualmente, num dos escritos Judeus extra-canónicos chamado Testamento de Jó, é apresentado um relato de uma translação como uma categoria para descrever pessoas recentemente mortas bem como as ainda vivas. Translação é definido como a elevação de alguém deste mundo para o céu. Mas as testemunhas da ressurreição não utilizaram a categoria da translação.
Imortalidade da Alma
Nem Paulo nem nenhuma outra testemunha se refere à ressurreição de Jesus como imortalidade da alma. E se Paulo e outros estavam a tentar atrair não-Judeus para o movimento de Jesus, seria inútil empurrar para cima deles uma ressurreição material. Nas palavras de Ben Witherington:
É por vezes afirmado que o foco na ressurreição física de Jesus é pura apologética. Eu fico sempre perplexo com esta afirmação. Se os evangelhos foram escritos no último terço do primeiro século, quando a igreja não só tinha uma missão viável aos Gentios [ndt: crentes não-Judeus], mas também caminhava a passos largos para ser uma comunidade largamente Gentia, porque motivo uma comunidade que tentava atrair Gentios iria inventar uma história de ressurreição, muito menos enfatizar a ressurreição material de Jesus? Esta noção não era, de todo, parte regular do léxico pagão da vida após a morte, facto demonstrado até mesmo com um estudo apressado das passagens relevantes dos clássicos em Grego e Latim. De facto, como nos sugere a passagem de Atos 17, o mais provável era que os pagãos ridicularizassem essa noção. Eu conseguiria perceber a teoria “da apologética”, se, e apenas se, os evangelhos fossem amplamente direccionados para Judeus Farisaicos, ou aos seus simpatizantes. Contudo, não conheço qualquer académico que tenha argumentado em favor de semelhante hipótese.[19]
Alucinações
Eu acredito que a melhor explicação, consistente não só com as descobertas científicas mas também com as evidências disponíveis… é que os Cristãos iniciais tiveram alucinações com o Cristo ressurrecto de uma forma ou de outra… No mundo antigo, sentir uma manifestação sobrenatural de fantasmas, deuses e maravilhas não só era aceite, como encorajado.”
Richard Carrier, Ateu – The Spiritual Body of Christ in Empty Tomb pág. 184
Postular algo como alucinação leva-nos de volta à categoria das aparições. N.T Wright diz:
Toda a gente na antiguidade tomava como certo que as pessoas tinham estranhas experiências de encontros com pessoas mortas. Eles sabiam, no mínimo, o mesmo que nós sabemos sobre visões, fantasmas, sonhos, e sobre o facto de que quando uma pessoa está afligida pela perda de alguém, essa pessoa por vezes visualiza, de uma forma breve, a figura do que aparenta ser o defunto a aparecer-lhe. Isto não é uma invenção ou descoberta moderna: a literatura antiga está cheia desses relatos. Eles dispunham de linguagem própria para esse tipo de fenómeno, e essa linguagem não era “ressurreição”. Eles descreviam estas situações como um tipo de experiência angelical. [20]
De Volta à Ressurreição
Não importa o quão arduamente académicos e céticos apontem para a subjectividade de visões, aparições ou alucinações, porque a verdadeira questão em mãos é porque motivo o movimento Cristão inicial manteve-se firme à categoria da ressurreição? Se calhar mantiveram-se firme à “ressurreição” porque foi exatamente isso o que aconteceu com Jesus! (João 11:25)
Pensamento Final:
A lição a reter aqui é que devemos tentar entender o contexto das reivindicações da ressurreição. Se o realmente tentarmos fazer, analogias falsas como o Big Foot, Elvis e avistamentos de OVNIs começam a parecer incrivelmente tontas!
Fontes:
Terceira apresentação da série “Porquê?”
As restantes apresentações serão adicionadas nos próximos dias.
Segunda apresentação da série “Porquê?”
As restantes apresentações serão adicionadas nos próximos dias.
Aconselho a leitura deste artigo, que nos mostra como ser um melhor esposo, amigo e irmão na fé para as nossas caras-metade, para as nossas bençãos de Deus.
Aqui.
“Porquê?” é a pergunta que mais me faço diariamente. Tenho um espírito curioso e questiono absolutamente tudo o que me rodeia. Não me contento com meias respostas, e o leitor também não se deverá contentar com meias respostas.
Porque motivo as nações são destruídas? Porque lhes falta o conhecimento!
Isto era verdade mais de 700 anos antes de Cristo, e é-o ainda mais hoje em dia. Fiquem com as palavras do amigo Paul Washer, um dos meus pregadores favoritos.
É importante conhecermos a doutrina Cristã, é importante estudarmos teologia. Não é perda de tempo sabermos mais sobre o criador do universo que se fez semelhante aos homens para ganhar as nossas almas para a vida eterna: é um dever Cristão!
Ateus e humanistas seculares alegam com insistência que a religião é a causa número 1 da violência e guerra na história da humanidade. Um dos propagandistas do ateísmo, Sam Harris, diz no seu livro A morte da fé que a fé e a religião são “a fonte mais prolífica de violência da nossa história”. 1
Não há como negar que campanhas como As Cruzadas e a Guerra dos Trinta Anos foram fundamentadas em ideologia religiosa, mas é simplesmente incorreto afirmar que a religião tem sido a causa primária para a guerra. Mais, apesar de não haver discordância no facto de que o islamismo radical foi a força por detrás dos ataques às torres gémeas do World Trade Center, é uma falácia dizer que todas as fés contribuem igualmente no que diz respeito à violência motivada por ideologias religiosas.
Uma fonte interessante de verdade nesta matéria é a Enciclopédia das Guerras, uma obra de 3 volumes de Philip e Axelrod que relata 1763 guerras disputadas no decurso da história da humanidade. Destas guerras, os autores categorizaram 123 como sendo de natureza religiosa 2, o que revela uma percentagem surpreendentemente baixa de apenas 6,98% do total das guerras. Contudo, se subtrairmos a esse número as guerras disputadas em nome do Islão (66), a percentagem baixa para menos de metade, para 3,23%.
Isto significa que todas as fés combinadas – à excepção do Islão – foram a causa de menos de 4% de todas as guerras da humanidade e conflitos violentos. Mais, elas não tiveram qualquer papel motivador nas grandes guerras que resultaram no maior número de perda de vidas.
Estes factos fazem uma séria mossa no argumento de Sam Harris, não é verdade?
A verdade é esta, motivações não-religiosas e filosofias naturalisticas carregam a culpa pela quase totalidade das guerras da humanidade. As vidas perdidas durante conflitos religiosos são em número muitíssimo inferior quando comparadas com as vidas perdidas devido à açáo de regimes que não queriam ter nada a ver com a ideia de Deus – algo demonstrado nos trabalhos Políticas Letais e Morte por Governo, de R. J. Rummel 3:
Custo em Vidas por Ditadores Não-Religiosos
Rummel diz: “Quase 170 milhões de homens, mulheres e crianças foram mortas, espancadas, torturadas, esfaqueadas, queimadas, deixadas à fome, congeladas, esmagadas ou obrigadas a trabalhar até à morte; queimadas vidas, afogadas, enforcadas, bombardeadas ou mortas por uma de entre as imensas formas que os governos têm de infligir a morte em cidadãos ou estrangeiros desarmados e indefesos. O número pode até ser perto de 360 milhões de pessoas. É como se a nossa espécie tivesse sido infetada com uma versão moderna da Peste Negra. E de facto foi, mas é uma peste de Poder, e não uma de germes.”4
As evidências históricas são bem claras: A religião não é a causa número 1 da guerra.
Se não podemos culpar a religião pela maioria das guerras e violência, então qual é essa causa primária? É a mesmo que despoleta todo o crime, crueldade, perdas de vida, e outras coisas iguais. Jesus dá uma resposta bem clara quanto a isso: “Porque, do interior do coração dos homens, saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro, e contaminam o homem.” (Marcos 7:21-23)
Tiago (naturalmente) concorda com Cristo quando diz: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; sois invejosos, e cobiçosos, e não podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes;” (Tiago 4:1-2)
No final, a evidência demonstra que os ateus estão completamente errados no que diz respeito às guerras que eles tão desesperadamente afirmam serem contra. O pecado é a causa número 1 da guerra e da violência, não a religião, e seguramente que não é o Cristianismo.
Referências:
1. The End of Faith, pág 27
2. Encyclopedia of Wars, pág 104
3. Lethal Politcs, pág 23
4. Death by Government, pág 9
Este artigo foi traduzido do original, de Robin Schumacher, retirado daqui.
Primeira apresentação da série “Porquê”
As restantes apresentações serão adicionadas nos próximos dias.