Um Engano Chamado Tolerância

Houve uma recente polémica no mundo Cristão (sem grande expressão ou conhecimento em Portugal, como já vai sendo infelizmente habitual) sobre a alteração dos estatutos de contratação de funcionários de uma das maiores entidades de apoio humanitário no mundo, a World Vision.

World-Vision

Presidente da World Vision dos Estados Unidos: “Porque motivo vamos agora empregar Cristãos Gays em uniões de facto”

De uma forma sucinta, o que se passou é que esta empresa assumidamente Cristã decidiu alterar os seus estatutos até então redigidos de acordo com os princípios declarados nas Escrituras para que agora fosse permitida a contratação de funcionários(as) homossexuais que vivam em união de facto com o seu/sua parceiro(a). De notar que os estatutos referentes à obrigação da abstinência sexual dos restantes funcionários solteiros ou não unidos de facto se manteve.

Do lado evangélico houve uma resposta firme e crítica a esta decisão, manifestando total discordância com a alteração feita e o estilo de vida que esta consente e promove, critica essa com a qual eu concordo, à qual se seguiu uma outra resposta… surpreendentemente também do lado evangélico.

Esta última veio de um grupo que considera que não devemos ter um trato diferente com a pessoa X só porque esta adota um estilo de vida contrário ao declarado nas Escrituras porque “Jesus trouxe uma mensagem de Graça e Misericórdia” e devemos “evitar ser duros e intransigentes” porque isso “não funciona”. Coloquei entre aspas estas últimas observações porque estou a citar partes de um texto de uma amiga e irmã na fé que muito respeito, escritas precisamente sobre esta polémica. Dá para perceber de imediato que ambos, eu e ela, temos ideias bem opostas sobre este assunto.

A visão deste último grupo é aliás demasiadamente próxima da heresia do Antinomianismo, e por me sentir extremamente desconfortável com a ideia de alguém defender algo parecido decidi escrever este texto.

Qual é então o meu ponto de vista, que visão é que defendo? É simples, eu não posso ir além da Graça e Misericórdia que o próprio Jesus demonstrou. Eu não posso ser tolerante com aquilo que as Escrituras -na sua qualidade de total e inerrante conselho de Deus- nos dizem ser intolerável aos olhos de Deus.

Deixem-me ilustrar o meu ponto de vista com duas passagens das Escrituras, a primeira normalmente citada, a outra nem por isso e já perceberão o porquê.

“A Mulher adúltera” em João 8:3-11

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher, apanhada em adultério;
E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.
E, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?
Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.
E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que, de entre vós, está sem pecado, seja o primeiro que atire pedra contra ela.
E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.
Quando ouviram isto, saíram, um a um, a começar pelos mais velhos, até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio.
E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu, também, te condeno; vai-te, e não peques mais.

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“Nem eu, também, te condeno; vai-te, e não peques mais”

Este texto tinha muito para ser analisado, desde logo é interessante perceber o pensamento dos líderes religiosos daquela época (daquela?) que relegavam a culpa para a mulher apenas. Esta mulher havia sido surpreendida a cometer adultério, mas quem cometia adultério com ela não foi levado para ser julgado por esses escribas e fariseus. Mas avancemos por agora para o ponto que quero apresentar, deixando a riqueza do texto para uma futura e mais profunda análise.

Podemos observar uma situação clara de alguém que foi acusada perante Jesus de cometer um pecado. Qual foi a Sua resposta? Ainda se lembra?
Terá sido
“Vai, continua o teu estilo de vida porque a minha misericórdia te chega”?
ou então,
“eu vou morrer por todos os pecados, portanto continua a viver como bem entendes que nada do que faças importa”?

Foi isso que Jesus disse à Mulher? Não, não foi essa a Sua resposta. “Vai-te e não peques mais”. Não. Peques. Mais.

Podemos extrair deste texto um ensinamento além do que a extrema empatia que Jesus tem para com o pecador? Não, não podemos. Muito menos entreter o pensamento de que pecado sexual é irrelevante quando estamos debaixo da Graça de Jesus.

Jesus não aboliu a lei que diz que o adultério é pecado. Nem Jesus o fez aqui em João, nem no restante do Novo Testamento, nem o adultério foi desconsiderado como grave por aqueles que O seguiram como Apóstolos, tendo estes sido apontados pelo próprio Filho de Deus para apascentar as necessidades das Suas ovelhas e dos quais temos um conjunto de livros que compõem o Novo Testamento onde assentar os alicerces do edifício da nossa fé. Nenhum deles trata o adultério (ou outro pecado sexual) como irrelevante, bem pelo contrário.

Mas não é sobre o adultério que estamos a falar. Retomando o meu ponto inicial:

Deve o Cristão defender um conjunto de valores e deveres fundamentados nas Escrituras?
Devemos dizer ao próximo que o estilo de vida homossexual é pecado e abominável aos olhos de Deus?
Que consequências tem o meu silêncio no meu destino eterno? Nenhum. Eu acredito que jamais perderei a minha salvação, mas, e no destino eterno dos que pecam fora da Graça Salvadora de Jesus?
Devemos cruzar os braços e não reagir à medida que vemos um cego a caminhar em direção ao precipício?

Aproveito e partilho a segunda passagem das escrituras que queria partilhar, passo a palavra ao meu Senhor, novamente:

Mateus 19:4-6

Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez, no princípio, macho e fêmea os fez,
E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim, não são mais dois, mas uma só carne.
Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem.

Jesus reforçou para lá de qualquer dúvida a definição bíblica de Casamento do Antigo Testamento, aliança debaixo da qual Deus permite o ato sexual. Nenhum ato sexual é permitido excepto no contexto do Casamento conforme descrito por Jesus neste trecho em Mateus. Nenhum. Todo o contacto sexual fora deste contexto é pecado, é isto que as Escrituras nos dizem de uma forma absolutamente clara.

Condescender com um estilo de vida homossexual em nome da “Graça” e “Misericórdia” não é nem honesto nem saudável para o Cristão, e muito menos para o pecador que acreditar nessa mentira.

Que imagem passamos ao não-crente quando estamos dispostos a abdicar daquilo que sabemos ser a soberana e perfeitamente declarada vontade de Deus, só para não parecermos incómodos ou intolerantes com os demais?
Até que ponto estamos dispostos a abdicar da nossa paz e conforto para podermos fazer aquilo que é correto aos olhos de Deus e anunciarmos que todas as ações trazem consequências, umas aqui na Terra e outras na eternidade?

Não defender a cosmovisão Cristã nos dias que correm é um ato de ódio declarado àqueles que não têm a sua fé em Jesus e estão assim desde já condenados ao fogo eterno. O nosso Senhor chamou-nos para sermos o Sal e a Luz do mundo, não para sermos inertes e inconsequentes nas nossas convicções espirituais.

Nunca é demais relembrar o que nos disse Jesus sobre a fidelidade que devemos ter para com Ele:
Mateus 7:22-27 (aconselho a leitura de todo o capítulo)

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? e em teu nome não expulsámos demónios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi, abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

Não podemos com uma mão oferecer a tolerância que este mundo tanto deseja para poder viver descontroladamente, porque com a outra estamos a esbofetear a Cristo.

Termino este texto com um ponto muito positivo e que me traz um grande contentamento. Passados alguns dias do anúncio original, e devido à pronta atuação de homens e mulheres fiéis às Escrituras de todo o mundo que manifestaram a sua discordância de uma forma graciosa mais firme, a World Vision reverteu a sua posição e reassumiu um compromisso claro com os princípios da fé Cristã, mantendo-se dessa forma fiel aos seus estatutos originais que respeitam e honram a vontade de Deus de acordo com o declarado nas Escrituras.

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