O Evangelho

Qualquer esforço apologético deverá ter o propósito final de partilhar a mensagem central do Cristianismo. Demonstrar a existência de Deus e a Razão por detrás do Cristianismo é a chave para abrir o coração do nosso interlocutor para depois receber a mensagem do Evangelho.

evangelho

O que é o evangelho?

A palavra evangelho, (do grego euangelion), significa literalmente “boa notícia”.
É o coração das Escrituras. É a mensagem que faz viver o Cristianismo, e é a mais importante comunicação de Deus para o Homem. Ela inclui em si mesmo uma verdade terrível, provavelmente a mais devastadora das verdades contidas na Bíblia, sabe qual é? É esta:

Deus é bom!
Deus é perfeita e completamente bom!

Porque motivo então é que essa excelente verdade é terrível para nós? Simples, ela é terrível porque a mesma Bíblia que declara Deus como bom, declara que o Homem não é bom, aliás, não só não somos bons, como somos completamente maus e miseráveis; desgraçados.
Como tal estamos destinados a uma separação eterna com Deus, porque a Luz não se mistura com a escuridão.

Essa diferença de carácter entre Deus e a sua criação –nós- é o motivo pelo qual o Evangelho ganhou vida há muitos, muitos anos atrás, nos tempos de Abraão (Romanos 4:3).
O evangelho é a mensagem que um dos autores de quase metade do Novo Testamento, Paulo, diz ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”.

Pergunta: “Espera Vitor, “salvação”… de quê, e porquê?”
Resposta: Salvação da justa punição que Deus tem pendente sobre todo o Homem porque no seu coração se rebelou contra o Criador, pecando contra Ele. Como criação de Deus devemos-lhe continuamente toda a honra e toda a glória, e nisso falhamos grandemente.

Deus determinou que todo aquele que peca contra Ele morrerá (1João 3:4Romanos 6:23), e não só morrerá como após a sua morte física haverá lugar a um julgamento, onde todo aquele que tiver cometido tão somente 1 pecado será lançado num lugar de punição eterna, o inferno.

Em toda a Bíblia há mais de 600 mandamentos, leis, regras, etc, a chamada “Lei de Deus”. A Lei de Deus não existe para que a cumpramos por completo -isso seria impossível-, mas apenas para demonstrar o quão maus nós somos, precisamente porque somos incapazes de a cumprir. Ela é como uma bússola moral cujo Norte é o Bem, e nós andamos sempre noutras direcções. Quando não cumprimos um mandamento, lei ou regra, etc. estamos a pecar.

A definição de pecado é muito simples de entender: pecar é o equivalente a errar o alvo. Deus criou-nos com um propósito e sempre que nós falhamos esse propósito estamos a pecar.

Deus é verdade, quando mentimos estamos a pecar.
Deus é justo, quando praticamos a injustiça estamos a pecar.
Deus é vida, quando matamos alguém estamos a pecar.
Deus é santo, quando agimos de forma imoral ou perversa estamos a pecar.
Deus é fiel, quando agimos com infidelidade estamos a pecar.
E por aí fora…

Pergunta: “Ah, Vitor, mas eu nunca traí a minha mulher/meu marido, nem nunca matei ninguém, portanto não tenho com que me preocupar, certo?”

Resposta: Aí é que está o erro que até eu cometo de julgarmos através dos nossos padrões, quando Deus julga-nos pelos Seus padrões -padrões que exigem a perfeição, porque Ele é perfeito– Ele vê através do nosso coração, Ele sabe na perfeição o que somos e o que sentimos a todo o momento…

Deus diz-nos pela sua palavra que basta olhar para alguém com cobiça e já cometemos adultério no nosso coração com essa pessoa (Mateus 5:27-28). Igualmente nos diz que quando nos irritamos, insultamos, e sentimos ódio por alguém já estamos condenados como se tivéssemos cometido o homicídio dessa pessoa (Mateus 5:221João 3:15). Perceba caro/a amigo/a, que nós podemos tentar manter uma aparência de santidade por fora, mas Deus sabe como realmente somos no nosso intimo. Ele sabe o quão maus somos no nosso interior e também sabe o quão necessitados somos da salvação para esta nossa natureza pecadora e para os pecados que cometemos voluntariamente e dos quais, por vezes, retiramos até satisfação.

Pergunta: “Mas Vitor, estás a dizer que mentir é equivalente a cometer adultério, ou até matar alguém? Eu não sou homicida, certamente Deus não me vê como um/a?!”
Resposta: Sim… e não.
Há, de facto, diferentes níveis de gravidade de pecado, mas o que nos separa de Deus não é a gravidade dos nossos actos, mas sim já os ter cometido. Portanto, e para que fique claro, o pecar produz uma separação definitiva de Deus, seja uma simples mentira, seja um homicídio.

Pergunta: “Estou a perceber, mas e então as boas acções que eu pratico, não contam para nada? Ainda ontem ajudei uma senhora a atravessar a rua, e no fim de semana ajudei o meu vizinho a transportar as compras do carro para casa… já para não falar que vou à igreja e faço doações habituais para os pobres e desfavorecidos. Isto seguramente cobre os pecados que cometi até aqui e coloca-me de bem com Deus, não?”
Resposta: Não, não coloca. “Mas, todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”. Deus diz-nos pela sua palavra que as nossas boas acções (“nossas justiças” no texto citado) são como panos sujos para Ele.

Adicionalmente, a Palavra nos adverte contra acharmos que as nossas boas acções produzem qualquer valor no que diz respeito à nossa salvação, portanto guarde-se de achar que está a adicionar algum mérito à obra já completa, que irei explicar já adiante: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; Não vem das obras, para que ninguém se glorie

Pergunta: “Vitor, estou a ficar preocupado, que é que então eu tenho de fazer para agradar a Deus?
Resposta: Fazer? Nada, tudo o que era suposto ser feito já aconteceu há muitos anos atrás. Apenas tem que acreditar e confiar nessa obra, por fé. Tem de crer.

jesus-on-the-cross

E agora, depois deste texto preparativo, a definição do evangelho:

Evangelho é a mensagem que nos diz que Deus se fez Homem na pessoa de Jesus Cristo, viveu uma vida perfeita e sem pecado -cumprindo assim toda a Lei- e que voluntariamente ofereceu a sua vida a Deus Pai como sacrifício expiador dos pecados de todos os que o aceitem como seu Senhor e Salvador. Jesus sofreu uma morte injusta (porque nunca pecou) e horrível (a crucificação era um método de aplicação da pena de morte cujo propósito era precisamente infligir o maior sofrimento possível ao condenado) para se colocar entre Deus e a Sua criação, aplacando a Sua justa ira.
Jesus morreu por mim e por si, para que os meus e os seus pecados fossem devidamente pagos a Deus Pai, que requer um pagamento por toda a infracção cometida.

Na cruz teve lugar uma troca gloriosa: Jesus imputou em nós a justiça de ter vivido uma vida perfeita -e assim nos apresentaremos perante Deus, justos- enquanto que Ele ficou com a nossa injustiça, pagando-a a Deus em nosso nome com o seu sangue e sofrimento, com a sua morte.

Deus não vai deixar nenhum pecado por pagar, a boa notícia é que todo aquele que pela fé, e apenas pela fé, aceitar com arrependimento sincero a Jesus Cristo como Senhor da sua vida, já tem os seus pecados passados, presentes e futuros perdoados e não sofrerá a ira de Deus no dia do julgamento.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João 3:16

Esta é a mensagem do evangelho e agradeço-lhe a oportunidade de a poder transmitir.

Por tudo isto, peço-lhe: com arrependimento pela vida que leva afastada de Deus, pela fé, aceite esta boa nova e através dela receba a Jesus no seu coração. Não há outra forma de termos a nossa relação com Deus restaurada, senão pela obra já cumprida por Jesus. Ele fará de si uma nova pessoa, com novo entendimento, novas forças, desejos, vontades e ambições e a sua vida nunca mais será a mesma.

Escreve estas palavras quem já o experimentou, e não trocava a salvação da minha alma e a regeneração que Deus opera em mim pelo seu Espírito por nada deste mundo.

Após a nossa salvação ocorrer, Deus faz uma série de mudanças na nossa vida para que possamos aferir a validade da nossa crença. Falarei desses acontecimentos numa futura mensagem, que nos salvaguardam das chamadas “falsas-conversões”, a mais terrível doença espiritual das Igrejas Cristãs dos nossos dias.

Facebooktwittergoogle_plusmail

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *