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O Cristão Pode Perder a Sua Salvação?

“Era melhor que Deus me levasse logo deste mundo, para ver se não me perco.” Disse o Carlos (nome fictício)
“Quanto mais tempo aqui passamos, maior é a probabilidade de nos perdermos.” Continuou ele o desabafo num tom de brincadeira numa ocasião em que, juntos, tratávamos de uns assuntos administrativos da nossa Igreja.
Abanei a cabeça em sinal de discordância e com um sorriso perguntei-lhe: “Acreditas mesmo nisso?” Ele respondeu, “Acredito, tu não?”

Respondi-lhe, “Não, não acredito. Eu acredito que um Cristão jamais pode perder a sua salvação”

As muitas pessoas ao nosso redor que aguardavam a execução do serviço importante que tínhamos em mãos fizeram com que a minha mente dispersasse para longe da pergunta e após este episódio fiquei com a clara sensação -na verdade, um sentimento de culpa- que não fui esclarecedor na minha resposta. Sim, respondi à pergunta, mas não a consegui explanar nem defender a sua verdade através das Escrituras.
Temos, os apologistas, a todo o momento, o dever de apresentar argumentos lógicos e racionais na defesa da Fé e eu naquele momento prestei um mau serviço ao meu amigo e à causa de Cristo.

Assim, após meditar sobre a forma inadequada como abordei esta questão selei o tema sobre o qual iria escrever numa das próximas mensagens para o Apologética em Português. Venho desta forma colocar por escrito o que não fui capaz de transmitir ao “Carlos” na conversa que acima descrevi.

Este tema está directamente relacionado com uma mensagem publicada no passado, onde falei sobre a forma de como atingimos a salvação –se pela Fé, ou pelas Obras– e coincidência, até o vejo como uma sequência lógica no estudo da Soteriologia Cristã aí iniciado e como tal o timing deste episódio com o meu amigo foi perfeito.


Aviso!

Antes de continuar, sou obrigado a fazer uma importante pausa para esclarecer o leitor acerca da definição de “Cristão”, e esta definição é crucial para que ninguém venha ler sobre se pode ou não perder aquilo que ainda não possui, ou sequer sabe o que é:
Cristão – É todo aquele que autonomamente, usando o seu livre-arbítrio, reconhece perante Deus a necessidade de ser resgatado da Sua justa ira que pende sobre toda a Humanidade. Esse resgate/salvação só é possível obter por via da total confiança na obra já completa por Jesus Cristo. Ou seja, o Cristão é alguém que leu ou ouviu a mensagem do Evangelho de Cristo e a aceitou por fé, reagindo dessa forma em arrependimento pela vida conduzida em pecado até esse momento e reconhecendo a sua própria inabilidade de se colocar de bem com Deus. Desse ponto em diante o Cristão confia em Jesus como seu único Senhor e Salvador.

“Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João 3:16
“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” Atos 16:31
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; Não vem das obras, para que ninguém se glorie” Efésios 2:8-9

Sou obrigado a insistir neste ponto porque:

– alguém que se lançou num tanque de água numa tarde de Domingo como resposta à (bem intencionada) pressão exercida por família ou amigos
– alguém que foi aspergido em bebé por um sacerdote da sua confissão religiosa
– alguém que traz um símbolo religioso pendurado no espelho do carro ou ao pescoço
– alguém que vai à Igreja com assiduidade mas que se conduz como Cristão apenas durante o ato litúrgico, comportando-se como um não-crente durante as restantes 166 horas da semana
– etc
esse alguém não é Cristão. Esse alguém é membro do grande embaraço espiritual chamado Cristianismo Cultural sobre o qual já aqui escrevi no passado.

Uma pessoa identificar-se como Cristã e uma pessoa ser Cristã (de acordo com a definição Bíblica) são coisas bem diferentes por isso cada um analise a sua própria consciência nesta parte.

Tem dúvidas se a sua conversão é real ou meramente social/cultural? Eu ajudo-o a chegar a uma resposta. Considere o seguinte:

– Se a sua vida se transformou de dentro para fora após a sua vinda à fé em Jesus, então a probabilidade de ser realmente um Cristão é alta.
– Se, porém, você age como Cristão apenas para se acomodar aos padrões dos que à sua volta se identificam como tal, a probabilidade de estar a viver uma falsa-conversão é elevada.

Você tem genuíno interesse em
– Orar fora dos momentos determinados nos atos litúrgicos na sua Igreja e cultivar um relacionamento pessoal com Deus diariamente?
– Ler a bíblia por sua própria vontade e frequentemente?
– Evangelizar as almas ao seu redor que estão longe de Jesus e como tal destinadas à perdição eterna?
– Aprofundar o seu conhecimento sobre as doutrinas básicas do Cristianismo para as saber explicar quando necessário?
Se a resposta é “não” à maior parte destas perguntas, quase seguramente está a viver uma mentira… cujas consequências serão eternas.

Medite nisto por favor e analise de forma séria as reivindicações do Evangelho o quanto antes.


Afinal… de quem é a Obra?

Se estava atento à introdução do texto já saberá qual é a minha resposta à pergunta inicial, mas vou escrevê-lo novamente: Um Cristão jamais poderá perder a sua salvação!

Para vermos se esta minha opinião tem sustento Bíblico, analisemos o seguinte: o que acontece na salvação do Cristão. Quem faz o quê a quem? Estamos a observar os méritos de quem?
Alguns exemplos.

O Cristão é transformado numa nova criatura

Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
2 Coríntios 5:17

O Cristão é redimido

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado
1 Pedro 1:18-19

O Cristão é justificado

SENDO, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.
Romanos 5:1

O Cristão tem a promessa da vida eterna

Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
João 3:16

O Cristão tem a garantia da Glorificação

E, aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.
Romanos 8:30

 

Havendo mais degraus no caminho da Glorificação, conforme a Ordo Salutis estabelecida, mas bastando para já olhar para estes, a pergunta óbvia a fazer é: o Cristão é o oleiro (agente ativo) ou o vaso (agente passivo) desta sua nova identidade?

Qual é a posição da Teologia Reformada a este respeito?

Todos os que são chamados por Deus, redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito Santo são eternamente salvos. Estes são conservados na Fé pelo poder do Deus Omnipotente e como tal continuam a perseverar na fé.

Suporte Bíblico para a posição Reformada:

  • A pessoa que verdadeiramente crê em Jesus Cristo tem uma nova vida que é eterna.

“Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” João 3:36

“Na verdade, na verdade vos digo que, quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” João 5:24

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.” João 6:47

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” João 6:51

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” João 11:25

“Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.” 1 João 5:13

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.” 1 Pedro 1:23

  • Todos os que chegam a uma genuína fé salvadora em Cristo são mantidos n´Ele em segurança para a eternidade, pelo poder de Deus.

“E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: que nenhum, de todos aqueles que me deu, se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê n’Ele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” João 6:35-40

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão do meu Pai. Eu e o Pai somos um.” João 10:27-30

“E eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda, em teu nome, aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.” João 17:11-12

“Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” João 17:15

“Porque, os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos. E, aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.” Romanos 8:29-30

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 8:35-39

“O qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia do nosso Senhor Jesus Cristo.” 1 Coríntios 1:8

“E nos predestinou para filhos de adoção, por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade,” Efésios 1:5

“Em quem, também, vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.” Efésios 1:13-14

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.” Efésios 4:30

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” Filipenses 1:6

“Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo, para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós, Que, mediante a fé, estais guardados, na virtude de Deus, para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo.” 1 Pedro 1:3-5

  • Os verdadeiros crentes irão perseverar até ao fim em fé e obediência pelo poder do Espírito Santo

“Aquele que tem os meus mandamentos, e os guarda, esse é o que me ama; e, aquele que me ama, será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” João 14:21

EU SOU a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.  Vós estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.  Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.  Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.  Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.  Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.  Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor.  Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.” João 15:1-11

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10

“E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.” 1 Pedro 5:10

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” 2 Pedro 1:10

De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim, também, operai a vossa salvação, com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós, tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2:12-13

Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço,e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Pelo que, todos quantos somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará” Filipenses 3:12-15

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” 1 João 3:9

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” 1 João 5:18

Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres, pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus, e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento; Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do hábito, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.

Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do trabalho de amor que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos, e ainda servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas.” Hebreus 5:11 – 6:12

“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam connosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.” 1 João 2:19

“E esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna.” 1 João 2:25

Objeções

  • Licença para pecar?

Uma objecção recorrente contra o ensino da segurança eterna em Cristo é a de que isso se torna uma liberdade para viver de forma imoral. O problema com esta acusação é que ela ignora a regeneração activa que Deus executa em nós. Por outras palavras, os críticos desta posição invariavelmente ignoram o facto de que Deus transforma o pecador. Ele faz-nos nascer de novo, e dessa forma somos feitos novas criaturas (“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17)
Como novas criaturas, temos Deus a viver em nós (“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.” João 14:23), e portanto, não podemos permanecer no pecado (“Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado*, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado*, porque é nascido de Deus” 1 João 3:9).

(* – as palavras utilizadas por João, transliteradas para hamartanei e hamartanōn indicam o pecar de forma contínua.)

  • Hoje sou Cristão, amanhã? Não sei…

A definição de Cristão é erguida e unicamente sustentada pelos alicerces das Escrituras, não cabe mim ou a si (os sujeitos) definir livremente o que é ser Cristão porque essa definição é-nos objectivamente dada pelas Escrituras. Mas uma coisa podemos garantir, aquele que abandona a fé e nega a Jesus nunca foi um Cristão verdadeiro, “Eles saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se fossem dos nossos teriam ficado connosco. Mas era preciso que ficasse claro que nem todos são dos nossos.” 1 João 2:19

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Seguros nas mãos de Deus

Conclusão

Como tivemos oportunidade de analisar, o Cristão necessita de aceitar Jesus como seu Salvador, mas quem é que elege, predestina, chama, regenera, redime, dá a fé, dá o arrependimento, justifica, santifica, faz perseverar e glorifica o crente? Deus, claro.

E se é Deus quem toma a iniciativa de salvar o crente, e se este último apenas responde pela fé que Deus lhe dá, que autonomia ou poder tem o crente para se sobrepor à vontade última de glorificação que Deus predeterminou, quando esse crente apenas dispõe da sua própria humana, carnal, imperfeita e absolutamente ineficaz vontade para tentar frustrar o soberano propósito do criador do Universo?
A resposta é simples: nenhuma autonomia ou poder. Nenhuma.

Caberia a Deus frustrar a sua própria vontade -o que seria ilógico- ou voltar atrás com o seu querer -o que atentaria contra o seu carácter de santidade-, ou seja, não há volte-face no decreto da Salvação: Uma vez salvo, para sempre salvo.

Atingir a salvação não dependeu de nada que nós fizéssemos, mantê-la não depende de nada que possamos fazer; então, desta forma, perdê-la não pode ocorrer por algo que nós mesmo façamos.

Nas palavras de Paul Enns:
“Para um crente perder a sua salvação teria de ocorrer um retrocesso e um desfazer de todas as obras precedentes do Pai, Filho e Espírito. O assunto chave na discussão acerca da segurança do crente diz respeito à pergunta de quem produz a salvação. Se o homem é o responsável por assegurar a sua salvação, então ele pode perdê-la; Se é Deus quem assegura a salvação da pessoa, então essa pessoa estará eternamente segura.” Paul Enns – The Moody Handbook of Theology (Chicago: Moody Press, 1989), p. 341

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Romanos 8:31


Obras consultadas na elaboração deste artigo:
Is Your Salvation Secure de John MacArthur
Um Cristão Pode Perder a Salvação? de GotQuestions.org
Can you lose your salvation? de Matt Slick
Referências às Escrituras dos Cânones de Dort
P
ara consulta dos versículos citados por favor use o serviço Bible.com (Português, versão ARC)

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O que é o Evangelho?

Já tive oportunidade no passado de partilhar com os leitores do Apologia.pt o motivo principal para a existência deste Website:
A Graça do Evangelho, a maior e melhor história alguma vez contada que nos chega diretamente do Céu; a história de um amor que não tem limites, o amor que Deus tem pelos seus filhos!

Recentemente, o ministério Acts17 Apologetics de David Wood, cujo foco é levar a mensagem de Jesus Cristo aos membros do Islamismo, lançou um curto vídeo animado que me pareceu uma ilustração perfeita do que é o Evangelho.

Após ter recebido a devida autorização do autor, aqui o trago já legendado em Português (ativem as legendas caso não apareçam por defeito na vossa janela de YouTube, a partir do menu “captions” ou “legendas” no canto inferior direito).

Sem mais demoras deixo o vídeo falar, por favor abra o seu coração para esta mensagem.

O que é o Evangelho?

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Quem Pode Prever o Futuro Detalhadamente?

Já parou para pensar porque motivo é que a Bíblia está carregada de profecias -umas já cumpridas, outras por cumprir- e esse facto aparentemente não é suficiente para, pelo menos, seduzir as pessoas a olhar para ela como se da verdadeira palavra de Deus se tratasse?

Você que entretém a ideia na sua mente que a Bíblia é um conjunto de mitologias e lendas, responda-me: Quem poderá ter sido o autor de dezenas e dezenas de profecias que se escreveram centenas de anos antes de se tornarem realidade?

Steven Lawson com a palavra:

O crédito do vídeo é do canal YouTube Editora Fiel, cuja visualização dos restantes vídeos eu recomendo vivamente.

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Design Inteligente vs Naturalismo

Admito sem qualquer receio que se encontram com facilidade dezenas de argumentos em favor de Teorias Naturalistas numa pesquisa rápida na Internet. Isso não é nem difícil nem causador de espanto – é assim que a cosmovisão Ateísta avança em pleno séc. 21, onde a informação disponível é vastíssima mas o interesse intelectual para a questionar e analisar é pouca ou nenhuma.

Mas, e se no percurso dessa pesquisa encontrarmos 1 só argumento contra essa Teorias, devemos prestar atenção?
E se forem muitos argumentos contra?
E se esses argumentos assentarem sobre sólidas evidências que as áreas da Biologia, Química, Cosmologia, BioQuímica, Sistemas de Informação, e outras nos dão a conhecer dos seus estudos, observações e conclusões publicadas muito recentemente, na última década?

Que outra hipótese teremos -isto se, de facto, nos consideramos e acima de tudo nos desejamos comportar como Seres lógicos e racionais- que não a de prestar muita atenção a esses argumentos?

Veja por favor a seguinte palestra do Dr. Marcos Eberlin na Universidade Federal do Mato Grosso, Brasil, de Julho do ano passado intitulada “Design Inteligente”.

Só ignora ou é contra o Design Inteligente:
a) quem nunca viu uma apresentação a favor do D.I. à luz das recentes descobertas científicas
b) quem quer a todo o custo negar as suas óbvias conclusões, no que à existência de um Criador diz respeito.

Resumo:

até aos 7 minutos – apresentação da palestra com o tema “Complexidade Irredutível” e introdução ao tema do Design Inteligente e à consequência que estas evidências têm na vida do Ser Humano. Sem design não há uma mente. Sem design não há propósito. Quem acredita no Design Inteligente só pode acreditar em Deus. Quem não acreditar só pode ser Ateu.

8m – Apresentação do conceito filosófico de causa-efeito. O Universo e a Vida são um efeito. Qual é/foi a sua causa? Ou forças/causas naturais ou forças/causas sobrenaturais.

14m – Padrões de inteligência demonstram a existência de uma mente.

17m – Dr. Eberlin fala sobre Michael Behe e o seu livro “Caixa Preta de Darwin”. Exemplificação do conceito Complexidade Irredutível. Demonstração da irredutível complexidade do Flagelo Bacteriano.

25m – Complexidade no Universo

33m Constantes Universais – 26 medidas ou valores exatos e precisos sem os quais não existiria a Vida. Estas evidências cientificas apontam claramente para a existência de uma mente criadora e um propósito para tudo o que conhecemos.

No resto da palestra é demonstrada a complexidade química que está presente nas mais básicas formas de vida.

Curta Biografria do Dr. Eberlin, retirada do seu Website:

Graduação (1982), mestrado (1984) e doutorado (1988) em Química pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP e pós-doutorado no Laboratório Aston de Espectrometria de Massas da Universidade de Purdue, USA (1989-1991).

Atualmente é professor titular MS-6 da Universidade Estadual de Campinas, na qual coordena o Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas (http://thomson.iqm.unicamp.br).

É membro da Academia Brasileira de Ciências (2002) e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (2005).

Prêmio Zeferino Vaz de Reconhecimento Acadêmico (2002) e Prémio Scopus-Capes (2008) de excelência em publicações e formação de pessoal.

É presidente (2009) da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas (IMSF) e vice-presidente da Sociedade Brasileira (BrMASS), e editor associado do periódico Advances da Royal Society of Chemistry.

Orientou vários mestres, doutores e pós-doutores e seu grupo de pesquisa conta hoje com cerca de 45 pesquisadores. Já publicou cerca de 450 artigos científicos (2010) com mais de 6000 citações em áreas diversas da Química e Bioquímica, e Ciências

dos Alimentos, Farmacêutica e dos Materiais.

 

Recomendo que vejam os outros vídeos deste homem da Ciência e Apologista Cristão presentes no Youtube. Entre palestras, apresentações e debates, existe muito material de grande interesse para a defesa racional da fé no Cristianismo.

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Palestra “Deus Existe?” E a Importância Da Cortesia Na Apologética

Tenho pena que não existam mais recursos em vídeo de Kirk Durston como o que vou partilhar de seguida.

Não costumo colocar aqui textos ou vídeos exclusivamente em Inglês, para não ir contra o próprio slogan do Site, “Apologética em Português”, mas desta vez, e porque sei que há muita gente que visita este site que é fluente em Inglês, abro uma excepção para vos dar a conhecer este Canadiano Doutorado em Biofísica, Mestre em Filosofia, licenciado em Engenharia Molecular, licenciado também em Física e prestes a concluir uma licenciatura em Teologia (ufa!).

Mas o que mais gosto nele, e o motivo pelo qual decidi apresentar-vos este brilhante Académico, é que ele não só é um Cristão que defende o Design Inteligente, como… parece um Cristão. Digo isto porque é muito fácil no mundo de debates e palestras que rodam o tema do Cristianismo e Ciência, sucumbir à tentação de usar de alguma altivez, ironia e sobranceria com quem palestra defendendo a não-existência de Deus, porque normalmente o sarcasmo e o chacotear é o modus operandi da maioria dos que se intitulam neo-ateus.

PZ Meyers debate com Kirk Durston

PZ Meyers debate com Kirk Durston

Ele comporta-se sempre com graciosidade, cortesia e bom senso, mesmo em alturas em que debate com pessoas como PZ Meyers, provavelmente o neo-ateu mais baixo, mesquinho e perverso que alguma vez terão o desprazer de ver, ler ou ouvir.

Kirk é um homem de Deus que percebe que quando se debate com alguém ou quando se está a fazer uma apresentação tentando demonstrar pelas evidências da Ciência a existência de Deus, na verdade o que estamos a tentar é a ganhar uma (ou muitas) almas para Deus, e não a tentar derrotar os argumentos do(s) nosso(s) adversário(s).

Aqui fica então o vídeo de uma palestra dele intitulada “Será que Deus existe?”, na Universidade de Fanshawe no Canadá. Se puderem, vejam os outros vídeos cujo link partilho abaixo.

Aqui poderão ver mais vídeos dele (palestras e debates), aqui poderão ver uma pequena Biografia dele bem como alguns trabalhos avaliados por pares (peer-reviewed) que ele já publicou, e finalmente aqui terão acesso ao seu blog pessoal.

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A Ilusão do Ateísmo

Nestes últimos dias tenho tido uma sempre bem-vinda oportunidade de trocar algumas palavras com um ex-membro da Igreja que frequento. Hoje em dia, e de há uns anos para cá, ele identifica-se como ateu. Apesar de trágico, o atual estado espiritual desta pessoa no que diz respeito à sua “fé” não é surpresa nenhuma.

Um dos motivos pelos quais eu invisto tempo a escrever neste sítio é precisamente o de capacitar os nossos jovens Cristãos -não só os jovens, mas principalmente estes- a estarem sempre prontos a defender a sua fé e a enfrentar de forma eficaz os ferozes ataques que a cosmovisão Cristã sofre por parte do mundo secular e dos seus intervenientes mais ativos.

classroom

Sem a devida preparação, é aqui que o seu filho passará a acreditar na ilusão do Ateísmo. Clique na imagem para ver um estudo recente sobre o abandono da fé por parte de jovens que iniciam a sua vida académica.

O risco é simples: Deixar os nossos filhos sair de casa aos 18 anos como Cristãos convictos e participantes connosco do corpo de Cristo nos eventos dentro e fora da Igreja, e recebê-los 3, 4 ou 5 anos mais tarde como inimigos de Deus declarados.

As faculdades são hoje em dia um lugar onde os nossos filhos são ensinados que Deus não existe e que o Humanismo e outras correntes anti-religiosas são o mais perfeito e capaz sistema de vivência humana. Mentiras, mentiras, mentiras.

Mas por um momento coloquem-se na pele de um jovem caloiro acabado de chegar à faculdade: O seu Professor de Biologia garante que a Teoria da Evolução é um facto científico, o de Filosofia afirma que Deus, a existir, é um ser atroz e vingativo e nas aulas de História os livros de Dan Brown são usados como exemplo de boa Historiografia. Podemos culpar alguém que não nós mesmos (os Cristãos) pelo mau trabalho feito ao longo dos anos, pela forma despreparada como entregamos os nossos jovens à sociedade no arranque das suas carreiras estudantis, quando estes colocam um pé fora da redoma familiar Cristã?
Não, não podemos. A culpa é só nossa.

Um ateu não é mais do que o produto de vários fatores conjugados, a saber:

  • Exposição a maus e tendenciosos estudos académicos
  • A natural inclinação do Homem para viver no pecado e assim procurar negar a existência de um Deus soberano (e os polos/campus Universitários são um forte convite a viver sem regras ou controlo)
  • Pressão dos pares, que como eles, também sofreram dos dois factores acima mencionados

Este recente amigo ateu com quem tenho falado confessou que se desviou do Cristianismo precisamente quando entrou na faculdade e teve contacto direto com o mundo secular em todo o seu esplendor. Dúvida aqui, artigo “científico” ali, e este até então Cristão saiu do edifício espiritual do Cristianismo onde habitava para, segundo as suas palavras, “nunca mais voltar”.

alarm-clockImagine comigo este cenário: Alguém debruçado em cima de uma cama, com uma almofada nas mãos a tentar cobrir um despertador para dessa forma abafar o som do seu alarme que toca de forma estridente, ao mesmo tempo que grita para alguém ao seu lado “Alarme?… na.., não há nenhum alarme a tocar neste momento!”

Esta é a perfeita ilustração da vida de um ateu.

Nos dias de hoje, em que abrindo uma página de Internet e acedendo a um qualquer motor de pesquisa ao estilo “Google” temos acesso a uma vastidão de textos, opiniões, artigos e coisas tais, um ateu tem mais do que ocasião e oportunidade para sustentar a sua cosmovisão e achar que está do lado correto da verdade.

Repare, eu não estou a afirmar que o ateu é um ser totalmente ilógico: mas afirmo-o se ele analisar TODAS as evidências que os muitos anos de bons estudos das mais variadas áreas nos trazem, e ainda assim, escolher o ateísmo como a melhor explicação para o “tudo”.
Isso sim para mim é o pináculo da ilusão auto-imposta.

O leitor procura uma “desculpa” para ser ateu? Fazemos assim, não perca mais tempo então, eu digo-lhe o que fazer: vá ler os livros de Sam Harris, ou de Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Daniel Dennet, David Silverman, Lawrence Krauss e tantos outros como eles. Agora aproveito e digo-lhe já de seguida que se quiser ser feliz na ignorância de não conhecer mais nada para lá das ideias desses autores, não leia um único livro mais. Nenhum, não leia absolutamente mais nada!

Não leia outros ateus um pouco mais honestos -e credenciados, mas de quem, pasme-se, nunca ouvirá falar nesse sub-mundo ateu- que os que citei acima que seguem as evidências para onde elas os levam e depois de anos e anos de observação, estudos e pausada análise e ponderação acabam por escrever livros com os títulos;

AFlew_DeusExiste“Deus Existe” como foi o caso do mais proeminente ateu do século passado, Antony Flew, que após 50 anos a defender a causa ateísta reverteu a sua posição para o agnosticismo, reconhecendo assim que os avanços da Ciência não lhe deixaram qualquer alternativa que não fosse a de reconhecer a existência de um Deus criador,

ou mesmo,

mindandcosmoscoverMente e Cosmos: Porque é que a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase certamente falsa” do reputado filósofo ateu Thomas Nagel, onde ele afirma que concepções estritamente materialistas -ou seja, sem uma causa transcendente, sem “Deus”- para a origem do Universo e da Vida são “quase certamente falsas”.

Os defensores da Teoria da Evolução têm uma particular aversão a este homem, da mesma forma que nós teríamos de alguém que nos carregasse com um dedo no nosso joelho recentemente esfolado após uma queda, e ambos pelo mesmo motivo: Tocar numa ferida aberta causa desconforto.

Não leia também sobre os trabalhos/artigos e publicações daquele que é considerado um dos maiores académicos vivos do Novo Testamento, o agnóstico Bart Ehrman (por quem alias tenho, confesso, uma saudável antipatia) que nos faz saber entre outras coisas que (traduzido daqui):

  • Jesus foi uma pessoa verdadeira da história, um Judeu da Galileia que pregou sobre o Reino de Deus. Ehrman escreveu um livro inteiro a defender este facto
  • Os Evangelhos canónicos são os mais jovens, e, para todos os efeitos, as únicas fontes válidas de informação detalhada sobre o Jesus histórico. Os evangelhos “Gnósticos” e os outros escritos apócrifos datam de muito mais tarde e não podem ser considerados fontes com significado válido para a informação histórica sobre Jesus.
  • Jesus pensou que era, ou pelo menos viria a ser, o Messias
  • Jesus foi crucificado às ordens de Póncio Pilatos
  • Jesus, de facto, morreu na cruz – (Muçulmanos, tomem nota)
  • Alguns dos seguidores de Jesus acreditavam sinceramente que o viram vivo após a sua morte

Só até aqui, já conseguimos refutar 90% dos disparates que habitualmente ouvimos por parte de cépticos sobre Jesus. E ainda faltam alguns pontos.

  • A crença que Jesus foi ressurrecto dentre os mortos convenceu os seus discípulos de uma forma praticamente imediata que ele era uma figura divina, exaltado à direita de Deus. Os Cristãos iniciais fizeram dessa forma algumas afirmações estrondosas sobre Jesus
  • A crença de que Jesus era uma figura divina que existiu antes da sua vida humana foi aceite pelo menos por alguns Cristãos nos primeiros vinte anos após a sua morte, inclusive antes mesmo das primeiras epístolas de Paulo. (Digam adeus ao disparate de que Paulo mudou radicalmente o Cristianismo, do código moral Judeu para um culto salvador Helénico)
  • Filipenses 2:6-11 ensina que Jesus Cristo era uma figura divina que preexistia ao seu ser humano; Ehrman rejeita a interpretação “Adãmica” dessa passagem que tenta contornar a preexistência de Cristo.
  • Paulo chama Jesus de “Deus” em Romanos 9:5!
  • João ensina de forma clara que Jesus existiu antes da Criação de alguma forma distinto de Deus o Pai, sendo ao mesmo tempo “Deus” e igual a Deus. (Testemunhas de Jeová, tomem nota.) Mais, esta ideia não originou em João porque o Prólogo Joanino deriva de uma fonte pré-Joanina.

Devo relembrar o que escrevi acima? Bart Ehrman é um académico do Novo Testamento, considerado com um dos mais conceituados a nível mundial. Ele é também agnóstico, ou seja, ele não acredita que Jesus é Deus em carne. Aliás, ele crê em Deus mas não o associa a nenhuma religião existente. Ele crê na ausência de um conhecimento particular de Deus por forma a honrá-lo como tal, e consegue ao mesmo tempo validar os alicerces fundamentais do Cristianismo através dos seus estudos e das conclusões que deles retira!

Está a perceber onde quero chegar? A isto chama-se honestidade intelectual. Investigar algo e apresentar as suas correctas conclusões, mesmo que depois se opte por não colocar nelas a nossa fé.

Se só quiser saber sobre o azul, leia só sobre o azul. Mas, se o seu interesse é saber sobre todo o espectro de cores que existe na luz visível, então leia também sobre as outras cores para assim poder fazer uma escolha coerente, fundamentada na razão.

Clique na imagem para ver um debate em Inglês entre Wallace (à direita) e Ehrman sobre as escrituras do Novo Testamento

Por forma a ilustrar um pouco melhor o meu anterior exemplo do despertador, leia com atenção o seguinte texto de um artigo que aborda a análise que Daniel Wallace fez a um recente livro de Bart Ehrman, onde este último, por continuamente negar as evidências históricas em favor do Cristianismo, é chamado por Wallace de “céptico radical”.

Por esta altura é importante referir para quem não está familiarizado, que Wallace e Ehrman fazem parte de um grupo restrito de uns 5 académicos vivos do Criticismo Textual do Novo Testamento de reputação mundial. Não há atualmente mais do que uma mão cheia de pessoas que saiba tanto sobre este assunto como eles.

[…]Wallace passou a ideia que Ehrman é um céptico radical. Essa imagem é ajustada à realidade? Uma pessoa da audiência perguntou a Ehrman o que seria necessário para ele ter a certeza de que nós possuíamos os escritos originais de, digamos, o Evangelho de Marcos. Ele disse que se tivéssemos dez cópias de primeira geração, escritos com um intervalo de uma semana ou algo do género do original, com “0.001% de desvio” entre eles, então ele teria uma relativa certeza de estarmos na posse do Evangelho de Marcos intacto. Repare que essas exigências não são feitas para qualquer outra literatura antiga e que o Novo Testamento é tão rico em cópias que os seus estudiosos podem obter uma boa ideia da sua redacção original. A resposta de Ehrman a esta questão confirmou que Wallace o descreveu de forma correcta.

Bart Ehrman é a prova cabal de que o conhecimento factual do tema A não torna necessário uma crença em A. Ele conhece melhor do que ninguém a validação histórica dos documentos que compõem o Novo Testamento e mesmo assim recusa-se a crer num Jesus Salvador. Aqui pode ler outro exemplo do que me refiro. Todos os que se recusam a acreditar estão no mesmo barco, o barco da contínua resistência à verdade, porque possuem um coração de pedra que se opõe à realidade chamada Deus.

Meditem por uns momentos no significado deste texto, escrito por Paulo em Romanos 1:18-20:

Portanto, a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça,
pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.
Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis.

Estas palavras com quase 2 mil anos de vida garantem-me que todo este movimento neo-ateu bem se podia chamar paleo-ateu, porque de novo nada tem. Homens que suprimem a verdade de Deus, porque amam as injustiças que cometem em vida e não suportam a ideia de um ser Soberano a quem hão-de prestar contas.

Para terminar um já longo texto, um desabafo. Um familiar perguntou-me recentemente, após ver alguns artigos feitos por mim aqui e no meu anterior blog, se eu devia perder tempo com isto… se este tipo de “filosofias” e questões eram boas para a minha alma.
Depois de falar com dezenas (centenas?) de pessoas que se intitulam ateus, eu posso asegurar com toda a força do meu ser: Não há nada de mais útil e mais premente no campo do Cristianismo que se pratica neste mundo virtual chamado Internet, do que o refutar mentiras que levam à perdição das almas que se deixam levar pelo conforto que o mundo de (falsas) convicções do ateísmo lhes traz.

A pergunta que lhe faço no fim deste texto é: E você, está preparado para, revestido de amor Cristão, falar com ateus e agnósticos e ajudá-los a chegar à fé no Jesus Histórico, Senhor e Salvador das almas de todos aqueles que n´Ele crerem?

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