Author Archives: Vitor Silva

O Cristão Pode Perder a Sua Salvação?

“Era melhor que Deus me levasse logo deste mundo, para ver se não me perco.” Disse o Carlos (nome fictício)
“Quanto mais tempo aqui passamos, maior é a probabilidade de nos perdermos.” Continuou ele o desabafo num tom de brincadeira numa ocasião em que, juntos, tratávamos de uns assuntos administrativos da nossa Igreja.
Abanei a cabeça em sinal de discordância e com um sorriso perguntei-lhe: “Acreditas mesmo nisso?” Ele respondeu, “Acredito, tu não?”

Respondi-lhe, “Não, não acredito. Eu acredito que um Cristão jamais pode perder a sua salvação”

As muitas pessoas ao nosso redor que aguardavam a execução do serviço importante que tínhamos em mãos fizeram com que a minha mente dispersasse para longe da pergunta e após este episódio fiquei com a clara sensação -na verdade, um sentimento de culpa- que não fui esclarecedor na minha resposta. Sim, respondi à pergunta, mas não a consegui explanar nem defender a sua verdade através das Escrituras.
Temos, os apologistas, a todo o momento, o dever de apresentar argumentos lógicos e racionais na defesa da Fé e eu naquele momento prestei um mau serviço ao meu amigo e à causa de Cristo.

Assim, após meditar sobre a forma inadequada como abordei esta questão selei o tema sobre o qual iria escrever numa das próximas mensagens para o Apologética em Português. Venho desta forma colocar por escrito o que não fui capaz de transmitir ao “Carlos” na conversa que acima descrevi.

Este tema está directamente relacionado com uma mensagem publicada no passado, onde falei sobre a forma de como atingimos a salvação –se pela Fé, ou pelas Obras– e coincidência, até o vejo como uma sequência lógica no estudo da Soteriologia Cristã aí iniciado e como tal o timing deste episódio com o meu amigo foi perfeito.


Aviso!

Antes de continuar, sou obrigado a fazer uma importante pausa para esclarecer o leitor acerca da definição de “Cristão”, e esta definição é crucial para que ninguém venha ler sobre se pode ou não perder aquilo que ainda não possui, ou sequer sabe o que é:
Cristão – É todo aquele que autonomamente, usando o seu livre-arbítrio, reconhece perante Deus a necessidade de ser resgatado da Sua justa ira que pende sobre toda a Humanidade. Esse resgate/salvação só é possível obter por via da total confiança na obra já completa por Jesus Cristo. Ou seja, o Cristão é alguém que leu ou ouviu a mensagem do Evangelho de Cristo e a aceitou por fé, reagindo dessa forma em arrependimento pela vida conduzida em pecado até esse momento e reconhecendo a sua própria inabilidade de se colocar de bem com Deus. Desse ponto em diante o Cristão confia em Jesus como seu único Senhor e Salvador.

“Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” João 3:16
“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” Atos 16:31
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; Não vem das obras, para que ninguém se glorie” Efésios 2:8-9

Sou obrigado a insistir neste ponto porque:

– alguém que se lançou num tanque de água numa tarde de Domingo como resposta à (bem intencionada) pressão exercida por família ou amigos
– alguém que foi aspergido em bebé por um sacerdote da sua confissão religiosa
– alguém que traz um símbolo religioso pendurado no espelho do carro ou ao pescoço
– alguém que vai à Igreja com assiduidade mas que se conduz como Cristão apenas durante o ato litúrgico, comportando-se como um não-crente durante as restantes 166 horas da semana
– etc
esse alguém não é Cristão. Esse alguém é membro do grande embaraço espiritual chamado Cristianismo Cultural sobre o qual já aqui escrevi no passado.

Uma pessoa identificar-se como Cristã e uma pessoa ser Cristã (de acordo com a definição Bíblica) são coisas bem diferentes por isso cada um analise a sua própria consciência nesta parte.

Tem dúvidas se a sua conversão é real ou meramente social/cultural? Eu ajudo-o a chegar a uma resposta. Considere o seguinte:

– Se a sua vida se transformou de dentro para fora após a sua vinda à fé em Jesus, então a probabilidade de ser realmente um Cristão é alta.
– Se, porém, você age como Cristão apenas para se acomodar aos padrões dos que à sua volta se identificam como tal, a probabilidade de estar a viver uma falsa-conversão é elevada.

Você tem genuíno interesse em
– Orar fora dos momentos determinados nos atos litúrgicos na sua Igreja e cultivar um relacionamento pessoal com Deus diariamente?
– Ler a bíblia por sua própria vontade e frequentemente?
– Evangelizar as almas ao seu redor que estão longe de Jesus e como tal destinadas à perdição eterna?
– Aprofundar o seu conhecimento sobre as doutrinas básicas do Cristianismo para as saber explicar quando necessário?
Se a resposta é “não” à maior parte destas perguntas, quase seguramente está a viver uma mentira… cujas consequências serão eternas.

Medite nisto por favor e analise de forma séria as reivindicações do Evangelho o quanto antes.


Afinal… de quem é a Obra?

Se estava atento à introdução do texto já saberá qual é a minha resposta à pergunta inicial, mas vou escrevê-lo novamente: Um Cristão jamais poderá perder a sua salvação!

Para vermos se esta minha opinião tem sustento Bíblico, analisemos o seguinte: o que acontece na salvação do Cristão. Quem faz o quê a quem? Estamos a observar os méritos de quem?
Alguns exemplos.

O Cristão é transformado numa nova criatura

Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
2 Coríntios 5:17

O Cristão é redimido

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado
1 Pedro 1:18-19

O Cristão é justificado

SENDO, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.
Romanos 5:1

O Cristão tem a promessa da vida eterna

Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
João 3:16

O Cristão tem a garantia da Glorificação

E, aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.
Romanos 8:30

 

Havendo mais degraus no caminho da Glorificação, conforme a Ordo Salutis estabelecida, mas bastando para já olhar para estes, a pergunta óbvia a fazer é: o Cristão é o oleiro (agente ativo) ou o vaso (agente passivo) desta sua nova identidade?

Qual é a posição da Teologia Reformada a este respeito?

Todos os que são chamados por Deus, redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito Santo são eternamente salvos. Estes são conservados na Fé pelo poder do Deus Omnipotente e como tal continuam a perseverar na fé.

Suporte Bíblico para a posição Reformada:

  • A pessoa que verdadeiramente crê em Jesus Cristo tem uma nova vida que é eterna.

“Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” João 3:36

“Na verdade, na verdade vos digo que, quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” João 5:24

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.” João 6:47

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” João 6:51

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” João 11:25

“Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.” 1 João 5:13

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.” 1 Pedro 1:23

  • Todos os que chegam a uma genuína fé salvadora em Cristo são mantidos n´Ele em segurança para a eternidade, pelo poder de Deus.

“E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: que nenhum, de todos aqueles que me deu, se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê n’Ele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” João 6:35-40

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão do meu Pai. Eu e o Pai somos um.” João 10:27-30

“E eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda, em teu nome, aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.” João 17:11-12

“Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” João 17:15

“Porque, os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos. E, aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.” Romanos 8:29-30

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 8:35-39

“O qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia do nosso Senhor Jesus Cristo.” 1 Coríntios 1:8

“E nos predestinou para filhos de adoção, por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade,” Efésios 1:5

“Em quem, também, vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.” Efésios 1:13-14

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.” Efésios 4:30

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” Filipenses 1:6

“Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo, para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós, Que, mediante a fé, estais guardados, na virtude de Deus, para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo.” 1 Pedro 1:3-5

  • Os verdadeiros crentes irão perseverar até ao fim em fé e obediência pelo poder do Espírito Santo

“Aquele que tem os meus mandamentos, e os guarda, esse é o que me ama; e, aquele que me ama, será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” João 14:21

EU SOU a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.  Vós estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.  Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.  Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer.  Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.  Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.  Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor.  Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.” João 15:1-11

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10

“E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá.” 1 Pedro 5:10

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” 2 Pedro 1:10

De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim, também, operai a vossa salvação, com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós, tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2:12-13

Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço,e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Pelo que, todos quantos somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará” Filipenses 3:12-15

“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” 1 João 3:9

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” 1 João 5:18

Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres, pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus, e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento; Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do hábito, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.

Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do trabalho de amor que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos, e ainda servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas.” Hebreus 5:11 – 6:12

“Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam connosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.” 1 João 2:19

“E esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna.” 1 João 2:25

Objeções

  • Licença para pecar?

Uma objecção recorrente contra o ensino da segurança eterna em Cristo é a de que isso se torna uma liberdade para viver de forma imoral. O problema com esta acusação é que ela ignora a regeneração activa que Deus executa em nós. Por outras palavras, os críticos desta posição invariavelmente ignoram o facto de que Deus transforma o pecador. Ele faz-nos nascer de novo, e dessa forma somos feitos novas criaturas (“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17)
Como novas criaturas, temos Deus a viver em nós (“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.” João 14:23), e portanto, não podemos permanecer no pecado (“Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado*, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado*, porque é nascido de Deus” 1 João 3:9).

(* – as palavras utilizadas por João, transliteradas para hamartanei e hamartanōn indicam o pecar de forma contínua.)

  • Hoje sou Cristão, amanhã? Não sei…

A definição de Cristão é erguida e unicamente sustentada pelos alicerces das Escrituras, não cabe mim ou a si (os sujeitos) definir livremente o que é ser Cristão porque essa definição é-nos objectivamente dada pelas Escrituras. Mas uma coisa podemos garantir, aquele que abandona a fé e nega a Jesus nunca foi um Cristão verdadeiro, “Eles saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se fossem dos nossos teriam ficado connosco. Mas era preciso que ficasse claro que nem todos são dos nossos.” 1 João 2:19

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Seguros nas mãos de Deus

Conclusão

Como tivemos oportunidade de analisar, o Cristão necessita de aceitar Jesus como seu Salvador, mas quem é que elege, predestina, chama, regenera, redime, dá a fé, dá o arrependimento, justifica, santifica, faz perseverar e glorifica o crente? Deus, claro.

E se é Deus quem toma a iniciativa de salvar o crente, e se este último apenas responde pela fé que Deus lhe dá, que autonomia ou poder tem o crente para se sobrepor à vontade última de glorificação que Deus predeterminou, quando esse crente apenas dispõe da sua própria humana, carnal, imperfeita e absolutamente ineficaz vontade para tentar frustrar o soberano propósito do criador do Universo?
A resposta é simples: nenhuma autonomia ou poder. Nenhuma.

Caberia a Deus frustrar a sua própria vontade -o que seria ilógico- ou voltar atrás com o seu querer -o que atentaria contra o seu carácter de santidade-, ou seja, não há volte-face no decreto da Salvação: Uma vez salvo, para sempre salvo.

Atingir a salvação não dependeu de nada que nós fizéssemos, mantê-la não depende de nada que possamos fazer; então, desta forma, perdê-la não pode ocorrer por algo que nós mesmo façamos.

Nas palavras de Paul Enns:
“Para um crente perder a sua salvação teria de ocorrer um retrocesso e um desfazer de todas as obras precedentes do Pai, Filho e Espírito. O assunto chave na discussão acerca da segurança do crente diz respeito à pergunta de quem produz a salvação. Se o homem é o responsável por assegurar a sua salvação, então ele pode perdê-la; Se é Deus quem assegura a salvação da pessoa, então essa pessoa estará eternamente segura.” Paul Enns – The Moody Handbook of Theology (Chicago: Moody Press, 1989), p. 341

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Romanos 8:31


Obras consultadas na elaboração deste artigo:
Is Your Salvation Secure de John MacArthur
Um Cristão Pode Perder a Salvação? de GotQuestions.org
Can you lose your salvation? de Matt Slick
Referências às Escrituras dos Cânones de Dort
P
ara consulta dos versículos citados por favor use o serviço Bible.com (Português, versão ARC)

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Bom Natal e Feliz Ano Novo!

Eu sei que o dia 25 de Dezembro muito provavelmente não é a data de nascimento de Jesus Cristo.
Eu sei que o dia 25 de Dezembro foi em tempos usado para prestar culto a um falso deus.

Como estudante da história do Cristianismo estou perfeitamente ciente desses e de outros factos usualmente mencionados por aqueles que não concordam com o festejo do Natal.

Mas esta época é uma oportunidade de ouro que o Cristão tem para poder lembrar ao mundo essa maravilhosa estória de amor que Deus escreveu e fez acontecer há cerca de 2000 anos atrás:
O Homem-Deus que veio ao mundo para morrer por nós, na cruz.

O dia de Natal é um dos raros momentos de que dispomos para falar sobre Jesus aos nossos amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho e outras pessoas com as quais nos cruzemos -como, por exemplo, o simpático senhor que me cortou o cabelo ontem com quem tive uma breve conversa a respeito- e usar essa oportunidade para lhes apresentar o Evangelho. Não a desperdicemos então, antes celebremos a vida do nosso Salvador porque é tão certo Ele ter nascido em 25 de Dezembro como ter nascido em 12 de Março ou noutro dia do ano. Mas se o Natal é já amanhã, porquê esperar mais tempo?

Em João 17:15, o Apóstolo relembra as palavras de Jesus:

Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

Ora, se a obra de redenção está concluída, porque motivo Jesus pediria ao Pai para que ficássemos mais um pouco na Terra? Poderia ser que Jesus desejasse que usássemos o tempo e as oportunidades de que dispomos para anunciar esta boa nova àqueles que nos rodeiam e assim chamar a muitos para o Reino do Pai? Quem sabe.

Por isso eu vou aproveitar estes dias em que os corações se abrem um pouco mais, descansando que estão da azáfama desta vida, e com eles partilhar o amor que Deus tem para com a sua criação.

Meu amigos e leitores, estes são os meus sinceros votos para si e toda a sua casa e família:
boas festas

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Devemos Ler e Estudar a Bíblia?

Sim! De preferência todos os dias e se tiver essa possibilidade faça-o várias vezes ao dia.

A pergunta-título desta mensagem segue a linha de raciocínio de uma outra que deve estar na cabeça de todo o Cristão após o término do ato litúrgico da sua Igreja: O que foi pregado está de acordo com as Escrituras? Se sim, amém, se não, ore a Deus pelo sacerdote/pregador e esqueça tudo o que ouviu o quanto antes.

E digo que segue essa linha porque o Cristão deve ter clara consciência que nenhuma revelação particular está acima da Revelação que Deus nos faz chegar através dos 66 livros que compõem o Cânone Bíblico Cristão. Neste assunto tão importante sejamos imitadores daqueles a quem Lucas chama de nobres Bereianos no seu livro “Atos dos Apóstolos”, os quais conferiam nas Escrituras se o que era anunciado do púlpito correspondia à verdade.

E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Bereia, e eles, chegando , foram à sinagoga dos judeus. Ora estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalónica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia, nas Escrituras, se estas coisas eram assim.

 

 

Atos 17:10-11

Aproveito a ocasião para partilhar um texto com o qual me cruzei há pouco no blog… Bereianos,  que aborda precisamente esta ideia de que o Cristão só pode saber comparar a verdade da pregação com o que as Escrituras declaram se possuir um abundante conhecimento delas mesmo, conhecimento esse pelo qual vem também a bênção de Deus.

Confira aqui a mensagem original, cujo título bem sugestivo é “O problema do analfabetismo bíblico” e que partilho com os leitores abaixo. Boa leitura!


Historicamente temos no Brasil uma considerável diminuição no analfabetismo, mas nas igrejas temos um crescente índice de analfabetismo bíblico e isso é sempre preocupante. Os crentes não leem (sic) mais a Bíblia de forma sistemática.

Ao usar o termo analfabetismo bíblico estamos designando uma falta de conhecimento das Sagradas Escrituras, não meramente um conhecimento intelectual, mas, experimental, um crescimento na graça e no conhecimento como disse o Apóstolo Pedro em sua segunda epístola (2 Pedro 3.18).

Estamos inseridos numa geração pragmática, onde vigora o “funciona”, uma geração que busca resultados imediatos, mas sem estrutura, sem cerne, sem fundamento sólido. Uma geração que tem edificado sobre a areia, que não tem sustentação e nutrição. Temos uma crescente influência da “cultura gospel”, que transforma artistas em ícones e gurus que através de redes sociais tem ‘discipulado’ muitos.

O analfabetismo bíblico não se limita a onda da cultura pop que envolve jovens cristãos. A exaltação de experiências místicas e revelações que ultrapassam os ensinos bíblicos têm sido também um fator que contabiliza pontos negativos para o crescimento espiritual da igreja no Brasil. Outro fator que podemos mencionar é a carência de genuíno ensino bíblico, muitas igrejas têm substituído o ensino e exposição das Escrituras por entretenimento. A centralidade em músicas, teatro, dança ou qualquer manifestação artística é um fator negativo para o crescimento de uma igreja. O centro do culto deve ser o Deus trino, sua Palavra nos foi dada para seguirmos sua vontade, a infidelidade do culto de muitas igrejas tem sido sua chaga. Tudo no culto deve ser gerido pela Escritura e ao que ela determina. Devemos apreciar artes e incentivar nosso povo a desenvolver uma leitura cultural baseada na Escritura e na graça comum, mas o culto é determinado por quem o aceita e não por quem o oferece.

O profeta Oséias nos diz:

“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.”

 

Oséias 4.6

Vemos no texto de Oséias que o povo é destruído pela falta de conhecimento, quando esse conhecimento está ausente, quando ela falta ao povo, isso acarreta sérias consequências. Observamos que inicialmente a responsabilidade do desvio do povo é responsabilidade do sacerdote, pois o sacerdote se esqueceu da lei do Senhor, se o líder está longe da palavra o povo sofrerá por isso, o povo será influenciado por isso. Mas o julgamento de Deus não se limita aos líderes infiéis, o povo é responsável por seus descaminhos, pois a lei de Deus foi dada para que seja observada pelo povo como nos diz Deuteronômio:

“ESTES, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR vosso Deus para ensinar-vos, para que os cumprísseis na terra a que passais a possuir; Para que temas ao SENHOR teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e que teus dias sejam prolongados. Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os guardares, para que bem te suceda, e muito te multipliques, como te disse o SENHOR Deus de teus pais, na terra que mana leite e mel. Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.”

 

Deuteronômio 6.1-9

Na leitura de Oséias ainda lemos:

“Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras.”

 

V.9

Note que o castigo de Deus não é somente ao líder que negligenciou a lei, mas também ao povo, o povo tem responsabilidade diante de Deus.

Muitas vezes ao olharmos para a situação da igreja evangélica brasileira, podemos deduzir erroneamente que muitos seguem os ensinos neopentecostais por ignorância somente, mas na prática não é assim. Muitos deixam igrejas históricas e migram para os arraiais do neopentecostalismo em busca de prosperidade financeira, cura física para alguma enfermidade ou qualquer outro interesse que se tenha. Tais pessoas também são culpadas por seus pecados, elas respondem diante de Deus por sua apostasia. O homem não é um coitadinho, ele é pecador, inimigo de Deus, que tem prazer em pecar. Ninguém será julgado pelo pecado de outro, mas, pelos seus próprios pecados.

A Bíblia nos recomenda a lermos a lei do Senhor todos os dias, ela é nosso alimento, nosso pão, ela nos sacia:

“Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.”

 

Josué 1.8

Devemos estudá-la:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.”

 

João 5.39

Devemos julgar qualquer ensino pelas Escrituras:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.”

 

Atos 17.11

Devemos ser praticantes da Palavra:

“E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.”

 

Tiago 1.22

A Palavra deve saturar nossas vidas:

“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração.”

 

Colossenses 3.16

Os sérios problemas que temos hoje nas igrejas são decorrentes da falta de conhecimento das Escrituras Sagradas, como vimos no inicio, não um mero conhecimento intelectual, mas, conhecimento prático também. Temos muita música, muito entretenimento e uma escassez exposições e pregações bíblicas.

Com o profeta Oséias aprendemos muito sobre isso e a solução para o analfabetismo bíblico:

“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”

 

Oséias 6.3


Para finalizar, e pedindo desculpa ao autor do texto pela ousadia, gostaria de mencionar mais alguns textos bíblicos que focam este assunto:

Paulo escreve ao seu discípulo Timóteo

Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.

 

2 Timóteo 2:15

e ainda

Tu, porém, mantém-te firme naquilo que aprendeste e aceitaste confiante. Sabes bem de quem o aprendeste e que desde a infância conheces as Sagradas Escrituras. Sabes que elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e serve para ensinar, convencer, corrigir e educar, segundo a vontade de Deus, a fim de que quem serve a Deus seja perfeito e esteja pronto para fazer tudo o que é bom.

 

2 Timóteo 3:14-17 (Tradução Bíblia para Todos)

 

Jesus, quando tentado no deserto, responde ao diabo

E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.

 

Lucas 4:4

 

sendo que “palavra de Deus” é uma referência às Escrituras, e não a uma qualquer particular revelação.

No Antigo Testamento podemos encontrar a seguinte prática

Liam em voz alta o livro da lei de Deus, traduziam-no e explicavam-no para que todos compreendessem a Escritura.

 

Neemias 8:8 (Tradução Bíblia Para Todos)

Penso que ficou cumprido o objectivo desta mensagem, que era o de passar um conselho simples mas importante:
O Crente deve ler e estudar as Escrituras de uma forma constante pois essa prática é recomendada quer no Antigo Testamento quer no Novo Testamento e declarada como essencial para a boa condução da vida espiritual daqueles que amam a Deus.

Espero que este texto possa despertar em si uma vontade de ler a Bíblia. Se for esse o seu caso, aceite a minha sugestão e leia a partir daqui seguindo depois em diante até ao fim do Novo Testamento. Quando chegar lá, volte trás e leia tudo novamente.

Um abraço, Deus o/a abençoe.

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Como Defender o Seu Argumento Pró-Vida em 5 Minutos ou Menos

Por Scott Klusendorf do Life Training Institute – A navegação pelo site deles é altamente recomendada, pelos óptimos e vastos recursos que lá encontramos para a defesa da posição pró-vida.


Uma Defesa Pró-Vida

Suponha que tem apenas cinco minutos para apresentar graciosamente as suas crenças pró-vida a amigos ou colegas de turma/trabalho. Consegue fazê-lo usando argumentos racionais? O que deve dizer? E como é que pode simplificar a questão do aborto para aqueles que julgam que ela é irremediavelmente complexa?

Veja como ter sucesso em três simples passos:

1) Esclareça a questão. Os defensores da posição pró-vida argumentam que a prática do aborto tira injustamente a vida a um ser humano indefeso. Assim simplificamos a polémica do aborto ao apontar a atenção pública a apenas uma pergunta: O nascituro é um membro da família humana? Se assim for, matando-o/a para beneficiar outros é um grave erro moral. A prática do aborto trata o distinto ser humano, com o seu próprio valor moral inerente, como nada mais do que um instrumento descartável. Por outro lado, se os nascituros não são humanos, matá-los por qualquer motivo não requer maior justificação do que aquela necessária para arrancar um dente.

Por outras palavras, argumentos baseados na “escolha” ou “privacidade” passam completamente ao lado da questão. Conhece alguém que apoie a ideia de uma mãe matar o seu filho de 1 ano porque ela “tem poder de escolha”? Claramente, se os não-nascidos são seres humanos, como o são as crianças de 1 ano, não devemos matá-los em nome da escolha da mesma forma que não matamos uma criança por esse motivo. Mais uma vez, este debate roda em torno de uma e apenas uma pergunta: O que é o nascituro? Neste ponto, alguns podem argumentar que as suas comparações não são justas, que matar um feto é moralmente diferente do que matar uma criança. Ah, mas esse é o problema, não é? São os nascituros, como o são as crianças, membros da família humana? Essa é a única questão que importa. (Veja o artigo “Toddler Tactics” para saber mais sobre isto.)

Relembre os que o criticam que você é vigorosamente “pró-escolha” quando se trata de mulheres escolherem uma série de bens morais. Você apoia o direito da mulher de escolher o seu próprio médico, de escolher o seu próprio marido, de escolher o seu próprio trabalho e escolher a sua própria religião, para citar apenas alguns exemplos. Estas são algumas das muitas opções que você apoia plenamente que as mulheres tomem. Mas algumas escolhas são erradas, tal como matar seres humanos inocentes porque simplesmente eles são um estorvo e não se podem defender.1 Não, esse tipo de escolha não deve ser permitida.

2) Defenda a sua posição pró-vida através da ciência e da filosofia. Cientificamente falando, sabemos que desde os primeiros estágios de desenvolvimento, os nascituros são única e completamente seres humanos vivos. Os principais livros de embriologia confirmam-no.2 Por exemplo, Keith L. Moore e T.V.N. Persaud escreveram: “Um zigoto é o início de um novo ser humano. O desenvolvimento humano começa no momento da fertilização, o processo durante o qual uma gâmeta masculino ou esperma … une com um gâmeta feminino ou oócito (ovócito) … para formar uma única célula denominada zigoto. Esta altamente especializada célula germinal marca o início de cada um de nós como um indivíduo único.”3 Antes de defender a prática do aborto, o ex-presidente de Planeamento Familiar Americano, Dr. Alan Guttmacher, manifestou perplexidade que qualquer pessoa, muito menos um médico, sequer questionasse este facto. “Isto parece ser tão simples e evidente que é difícil imaginar um tempo em que não fazia parte do senso comum”, escreveu ele no seu livro “Life in the Making”.4

Filosoficamente, podemos dizer que os embriões são menos desenvolvidos do que os recém-nascidos (ou, para esse efeito, que qualquer criança), mas esta diferença não é moralmente significativa da forma que os defensores do aborto precisam que ela seja. Considere a afirmação de que a capacidade imediata para a auto-consciência confere valor aos seres humanos. Repare que este não é um argumento, mas uma afirmação arbitrária. Porque motivo algum desenvolvimento é necessário? E porque motivo é este particular grau de desenvolvimento (ou seja, maior função cerebral) decisivo na vez de outro? Estas são perguntas que os defensores do aborto não abordam adequadamente.

Como Stephen Schwarz aponta, não há nenhuma diferença moralmente significativa entre o embrião que você foi uma vez e o adulto que você é hoje. As diferenças de tamanho, nível de desenvolvimento, meio ambiente e grau de dependência não são relevantes ao ponto de podermos dizer que você não tinha direitos enquanto embrião, mas que os tem hoje. Pense na sigla TANG (em Inglês, SLED) como um lembrete útil dessas diferenças não essenciais: 5

Tamanho: É verdade, os embriões são menores do que os recém-nascidos e adultos, mas porque é que isso é relevante? Será que realmente quero dizer que as pessoas grandes são mais humanas do que as pequenas? Os homens são geralmente maiores do que as mulheres, mas isso não significa que eles mereçam mais direitos. Tamanho não é igual a valor.

Ambiente: Onde você está não tem qualquer influência sobre quem você é. O seu valor muda quando você atravessa a rua ou rola para a outra ponta da cama? Se não muda, como pode uma jornada de 20 cm a descer o canal de parto de repente mudar a natureza fundamental do nascituro de não-humano para humano? Se os nascituros não são ainda humanos, a simples mudança na sua localização não os pode tornar valiosos.

Nível de desenvolvimento: É verdade, os embriões e os fetos são menos desenvolvidos do que os adultos nos quais um dia se irão tornar. Mas, novamente, porque é que isso é relevante? Meninas de 4 anos de idade são menos desenvolvidas do que as de 14 anos de idade. Devem as crianças mais velhas terem mais direitos do que os seus irmãos mais novos? Algumas pessoas dizem que é a auto-consciência que faz um ser humano. Mas se isso é verdade, os recém-nascidos não se qualificam como valiosos seres humanos. Crianças de seis semanas de idade não têm a capacidade imediata para a realização de funções mentais humanas, assim como aqueles em estado de coma reversível, os que dormem, e os que sofrem com a doença de Alzheimer.

Grau de Dependência: Se a viabilidade nos torna humanos, então todos aqueles que dependem de insulina ou medicação para os rins não são valiosos e podemos matá-los. Gémeos siameses que dividem o tipo de sangue e sistemas corporais também não têm direito à vida.

Em suma, é muito mais razoável argumentar que, embora os seres humanos difiram imensamente no que diz respeito ao talento, realizações e graus de desenvolvimento, eles não deixam de ser iguais em valor, porque compartilham uma natureza humana entre si.

3) Desafie os seus ouvintes a serem intelectualmente honestos. Faça-lhes as perguntas difíceis. Quando os seus críticos disserem que o nascimento faz com que o nascituro se torne um ser humano, pergunte: “Como é que uma mera mudança de local de dentro do útero para fora do útero muda a natureza fundamental do nascituro?” Se eles disserem que o desenvolvimento do cérebro ou a auto-consciência nos torna humanos, pergunte se eles concordariam com Joseph Fletcher que diz que as pessoas com um QI abaixo de 20 ou talvez 40 devessem ser declaradas não-pessoas? Se não, porque não? É verdade que algumas pessoas vão ignorar o caso científico e filosófico que você apresentar para a visão pró-vida e defendam o aborto unicamente na base de um interesse próprio. Mas essa é a maneira preguiçosa de estar. Lembre os seus críticos que se nos preocupamos com a verdade, devemos corajosamente seguir os factos onde quer que eles nos levam, não importando qual o custo para os nossos próprios interesses.

Notas:

1. Gregory Koukl, Precious Unborn Human Persons (Lomita: STR Press, 1999) p. 11.

2. Veja também, T.W. Sadler, Langman’s Embryology, 5th ed. (Philadelphia: W.B. Saunders, 1993) p. 3; Ronand O’Rahilly & Pabiola Muller, Human Embryology and Teratology, 2nd ed. (New York: Wiley-Liss, 1996) pp. 8, 29.

3. Keith L. Moore and T.V.N. Persaud, The Developing Human: Clinically Oriented Embryology (Philadelphia: W.B. Saunders Company, 1998) p.2.

4. A. Guttmacher, Life in the Making: The Story of Human Procreation (New York: Viking Press, 1933) p. 3.

5. Stephen Schwarz, The Moral Question of Abortion (Chicago: Loyola University Press, 1990) p. 18.


Resolvi adicionar a este texto um vídeo que exemplifica o que é o aborto, para que todos saibamos da forma mais clara e dura possível que o nosso silêncio em relação a esta vil prática tem como resultado o extermínio de milhares de Seres Humanos indefesos no nosso País (mais de 100 mil nos últimos 7 anos) e por todo o mundo (entre 40 a 50 milhões por ano).

Aviso: O seguinte vídeo contém imagens explícitas e perturbadoras sobre a grave injustiça cometida a bebés por nascer, primeiro com 7 e 10 semanas (até esta fase o ato é despenalizado em Portugal) e por último 24 semanas após a fertilização (ato permitido, por exemplo, nos Estados Unidos).

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O que é o Evangelho?

Já tive oportunidade no passado de partilhar com os leitores do Apologia.pt o motivo principal para a existência deste Website:
A Graça do Evangelho, a maior e melhor história alguma vez contada que nos chega diretamente do Céu; a história de um amor que não tem limites, o amor que Deus tem pelos seus filhos!

Recentemente, o ministério Acts17 Apologetics de David Wood, cujo foco é levar a mensagem de Jesus Cristo aos membros do Islamismo, lançou um curto vídeo animado que me pareceu uma ilustração perfeita do que é o Evangelho.

Após ter recebido a devida autorização do autor, aqui o trago já legendado em Português (ativem as legendas caso não apareçam por defeito na vossa janela de YouTube, a partir do menu “captions” ou “legendas” no canto inferior direito).

Sem mais demoras deixo o vídeo falar, por favor abra o seu coração para esta mensagem.

O que é o Evangelho?

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Salvação, Pelas Obras ou Pela Fé?

Na mensagem de hoje resolvi lançar-lhe um desafio a si, leitor do Apologia.pt.

O desafio consiste em responder a uma simples pergunta como teste ao seu conhecimento Bíblico. A pergunta é sobre a Salvação, ou seja, sobre a forma como o Homem evita a Justa ira de Deus, pendente sobre toda a Humanidade:

O Homem é salvo…
a) apenas pela fé?
ou
b) pela fé + obras?

Bom é que todo aquele que se identifica como Cristão saiba responder imediatamente a esta pergunta como constatação de uma boa consciência espiritual. Se este site abordasse o ensino da Matemática a pergunta equivalente seria “quanto é 1+1?”, logo, a forma como obtemos a salvação da punição que Deus irá executar sobre todo o pecador é o conceito doutrinal mais básico e urgente de se ensinar numa Igreja Cristã.

Se o leitor se intitula Cristão e não sabe de imediato a resposta a esta pergunta terá que analisar e meditar de forma séria sobre o conteúdo doutrinário (neste caso falta dele) ensinado pelos líderes da Igreja da qual faz parte.

Antes de avançar no texto deixem-me confessar que esta pergunta não é inocente: este não é um ponto incontroverso dentro do Cristianismo e isso sucede apenas porque lamentavelmente muitas Igrejas que se intitulam “Cristãs” desvirtuam propositadamente este conceito tão simples das Escrituras.
Fazem-no acrescentando interpretações pessoais e descontextualizadas dos seus líderes aos textos originais da Bíblia, como forma de tentar passar uma mensagem contrária à ortodoxia do Cristianismo de Jesus, dos seus Apóstolos e dos Pais da Igreja que os seguiram no trabalho de edificação da Igreja de Cristo.

O porquê de certas Igrejas agirem desta forma poderá ser abordado numa mensagem futura aqui no Apologia.pt, mas para já vamos abordar o cerne da questão e extrair a verdade contida nas Escrituras sobre este ponto.

Há como indiquei 2 correntes de interpretação das Escrituras sobre a pergunta que lhe faço acerca da salvação do Homem:
Há Igrejas que afirmam que a salvação se atinge somente pela fé
Há Igrejas que afirmam que a salvação se atinge pela fé mais obras

Quem então está correto na sua avaliação das Escrituras? Quem está do lado da razão e da verdade?

Para facilitar a sua resposta, se ainda tem alguma dúvida a este respeito -ou para si que já respondeu possa confirmar se o fez correctamente-, vou colocar aqui os versículos que abordam este tema crucial na vida do Cristão divididos em 3 secções, para que possamos juntamente analisar todos os textos bíblicos que abordam o tema e dessa forma ajudá-lo a chegar a uma conclusão por si mesmo.

  • Na primeira secção, versículos que nos indicam que a salvação é somente pela fé.
  • Na segunda secção, versículos que nos indicam que a salvação não é pelas obras.
  • Na terceira secção, um versículo que é usado como justificação do argumento em favor da salvação pela fé + obras, aos quais adiciono a minha interpretação numa tentativa que espero venha a ter sucesso, de lhe demonstrar que ele apenas aparenta demonstrar a necessidade de obras por parte do Homem no atingir da sua salvação. Essa ideia não se sustenta após a devida análise.

Por uma questão de espaço não vou poder citar aqui a totalidade dos capítulos dos versículos, mas apenas excertos dos mesmos. Para uma análise profunda e compreensão do seu contexto, é sempre aconselhável a leitura do capítulo indicado na sua totalidade. Pode usar esta ferramenta online para esse efeito, ou a bíblia de que dispõe.


 

Salvos pela fé apenas:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João 3:16

“Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença”
Romanos 3:22

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”
Romanos 3:24

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.”
Romanos 3:26

“Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.”
Romanos 4:3

“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.”
Romanos 4:5

“E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada;”
Romanos 4:11

“Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós,”
Romanos 4:16

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;”
Romanos 5:1

“Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.”
Romanos 5:9

“Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé.”
Romanos 9:30

“Como está escrito:Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo;E todo aquele que crer nela não será confundido.”
Romanos 9:33

“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.”
Romanos 10:4

“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”
Romanos 10:9-10

“Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?

Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.”
Gálatas 3:5-6

“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.”
Gálatas 3:8

“Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.”
Gálatas 3:14

“Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes.”
Gálatas 3:22

“De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.”
Gálatas 3:24

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;”
Efésios 1:13

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.”
Efésios 2:8

“E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;”
Filipenses 3:9

“Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna.”
1 Timóteo 1:16

Não somos salvos pelas obras:

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente, Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão.”
Romanos 3:28-30

“Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.”
Romanos 11:6

Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
Gálatas 2:16

“Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.”
Gálatas 2:21

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie
Efésios 2:8-9

“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.”
Romanos 4:5

Somos «salvos» pelas obras:

“Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.”
Tiago 2:24


 

O que fazer com esta aparente contradição?

Se pudéssemos resumir a análise a esta questão restringindo-nos apenas à sua proporção numérica, poderíamos argumentar que 1 versículo (Tiago 2:24) versus os restantes 29 citados faria pender a balança da razão em favor da “justificação apenas pela fé”.
Mas, sabemos que as Escrituras são inerrantes na sua totalidade e que a Palavra de Deus deve ser harmonizada entre si e não retirada aqui e ali do seu contexto por forma a fazer avançar um argumento (daí a minha firme convicção que o estudo sistematizado das doutrinas Cristãs são a forma mais intelectualmente saudável de se viver o Cristianismo). Como tal, é nosso dever tentar perceber o porquê da aparente contradição nos escritos deste meio-irmão de Jesus, na sua epístola universal.

O que é que Tiago quis dizer com aquela frase, na verdade? Será que a leitura do restante contexto nos pode ajudar a perceber o significado das suas palavras? Vamos ver:

Tiago no capítulo 2, versículo 14 diz-nos o seguinte

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?

Sugiro o seguinte teste;  releia o versículo acima, mas na segunda parte do versículo em vez do “a fé” substitua por “essa fé”, para que se faça mais claro o verdadeiro sentido da ideia que Tiago nos quer transmitir.
Ele não está a tentar dizer que a fé não salva, está sim a tentar argumentar que uma fé que não produz obras é uma fé morta, não existente, comportamento (neste caso ausência dele) típico daquele que vive uma falsa-conversão.

Ora se a fé não existe e isso fica visível pelas não-existentes obras na vida desse crente, e sendo a fé -de acordo com as restantes escrituras- o único requisito para a salvação, resulta na constatação que essa “fé” não salva. E não salva porque… não existe.
Vejamos o que ele nos diz a seguir, se vai ou não ao encontro desta interpretação (vv 15-17),

E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano,
E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

Repare que Tiago nos providencia um exemplo prático de aplicação da fé verdadeira. A fé que acompanha o coração genuinamente convertido não é indiferente à necessidade alheia. A fé tem por sua inata obrigação o produzir de bons frutos na vida do crente e o atendimento das necessidades materiais dos membros do corpo de Cristo são o exemplo dado.

Analisemos o versículo seguinte,

Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

Reparou na forma como Tiago escreveu esta porção das escrituras? Ele diz “eu te mostrarei as minhas obras pela minha fé”, ou precisamente o contrário?
Ele diz claramente que as obras são uma demonstração da fé, uma sua natural consequência. Ora, fica claro que Tiago não está a dar importância às obras per si, mas sim àquilo que as origina e as autentica; à fé verdadeira.

Além disso, note que Tiago cita o mesmo versículo que Paulo cita em Romanos 4:3 que lida com a justificação pela fé.

Tiago 2:23 diz-nos,

E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.

Se Tiago estivesse a ensinar uma doutrina sobre fé e obras que estivesse em contradição com os outros escritores do Novo Testamento, ele não teria usado Abraão como exemplo, e muito menos essa citação.

Fica claro que Tiago pretende apenas reafirmar o que os restantes escritores do Novo Testamento colocaram por escrito manifestando dessa forma a concordância doutrinal sobre este assunto dentro da Igreja Apostólica: O meio de obtermos a salvação é Jesus Cristo, a operação é o perdão, e a condição é a fé, conforme determinado e exemplificado na vida de Abraão.

Conclusão

Tivemos oportunidade de analisar o contexto da segunda metade do 2º capítulo da carta de Tiago e verificar que a justificação é somente pela fé, e que ele se referia a uma fé falsa, e não a uma fé verdadeira, quando nos disse que não somos justificados somente pela fé no versículo em destaque.

Os versículos citados comprovam de forma inequívoca que o Novo Testamento, na sua totalidade e sem contradição, nos ensina que a salvação é o produto da Graça de Deus em resposta à nossa fé.

Não existe qualquer outro requerimento, mas apenas a Fé, para que o Homem obtenha a sua salvação.

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